GOVERNOS FALHAM EM PROTEGER FLORESTAS PRIMÁRIAS DO PLANETA, DIZ GREENPEACE

Ativistas do Greenpeace à bordo do navio Rainbow Warrior denunciaram nesta segunda-feira (16) a descoberta de várias balsas carregadas com toras de madeira ilegal destinadas à exportação pela Indonésia. A madeira é proveniente de uma área que inclui o Parque Nacional de Tanjung Puting e suspeita-se que tenha sido explorada ilegalmente. Quatro ativistas estenderam uma faixa em uma das balsas com a mensagem: “Chega de Crime Florestal”.

O Greenpeace está em expedição pela costa de Kalimantan (Indonésia), documentando a contínua destruição das florestas da região. Ao mesmo tempo, governos de várias partes do mundo discutem o futuro da vida no planeta durante a 7a Conferência das Partes (COP 7) da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), que está sendo realizada em Kuala Lumpur (Malásia). “Nós estamos fazendo o trabalho que seria dos governos”, disse Stephen Campbell, do Greenpeace, à bordo do Rainbow Warrior. “As florestas e os oceanos estão sendo continuamente destruídos e a comunidade internacional falhou em dar passos concretos para realmente proteger a vida na Terra desde a ECO 92, realizada há 12 anos no Rio de Janeiro (RJ)”.

O Brasil estará presente à reunião da CDB com uma delegação de 13 integrantes do MMA – Ministério do Meio Ambiente, além de membros do Itamaraty. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deve chegar esta semana a Kuala Lumpur para presidir a delegação brasileira na fase final da reunião. O Greenpeace pediu ao governo brasileiro que assuma o papel de liderança que cabe ao País – que detém a maior biodiversidade do mundo – e trabalhe para que a reunião da CDB aprove um programa de trabalho para áreas protegidas, que seja forte e consistente com os compromissos assumidos por governos de todo o mundo de parar e reduzir a alarmante perda de biodiversidade até 2010.

Mais de 30 jovens e crianças de vários países que participam do projeto do Greenpeace Jovens pelas Florestas estão em Kuala Lumpur. Entre eles, dois brasileiros: João Paulo Vieira Furtado, de 15 anos, e Claudia Pimentel Maciel, de 16, ambos de Porto de Moz (Pará). Eles levarão à reunião da CDB a luta dos riibeirinhos da região pela criação da reserva extrativista Verde para Sempre. O projeto de criação da reserva, resultado de quatro anos de mobilização e luta das comunidades locais, repousa na mesa do presidente do Ibama.

O Greenpeace está denunciando a destruição das últimas florestas primárias do planeta e a devastação dos oceanos durante a CDB, cuja segunda semana teve início nesta segunda-feira. Mas os governos reunidos em Kuala Lumpur ainda não chegaram a um acordo efetivo para proteger a biodiversidade do planeta e barrar a atual destruição das florestas primárias, que abrigam mais de 80% da diversidade de espécies de plantas e animais terrestres do planeta. Milhares de povos indígenas e comunidades tradicionais dependem delas para manter sua cultura e seu modo de vida.

Mas as florestas primárias não fornecem apenas bens e serviços para as populações locais. Elas também fornecem água para milhões de pessoas que vivem nas cidades, longe das florestas. Os ecossistemas florestais também são importantes para a manutenção dos ciclos de ar e da água em nível global. Além disso, muitos produtos medicinais são baseados nos recursos genéticos e nas espécies provenientes das florestas primárias.

De acordo com o Greenpeace, os governos precisam disponibilizar recursos financeiros adicionais suficientes para barrar a destruição das florestas primárias e da vida marinha, banir atividades industriais em larga escala em todas as áreas intactas extensas e estabelecer uma rede de áreas protegidas com efetivo manejo e cumprimento da lei. (Greenpeace)

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