2 MILHÕES DE FILHOTES DE CARANGUEJOS SERÃO LIBERADOS NO MANGUE PARANAENSE

Cerca de 2 milhões de filhotes de caranguejos serão soltos na natureza, nos
meses de fevereiro e março deste ano, por pesquisadores do Grupo Integrado de
Aqüicultura e Estudos Ambientais (GIA), da Universidade Federal do Paraná
(UFPR).

Os animais serão liberados em manguezais do município de Antonina e também no Centro de Operações Costeiras (COC) de Guaratuba, área de mangue que o Instituto Ecoplan, ONG paranaense fundada em 1991, destina à pesquisa e educação ambiental. O trabalho é pioneiro no mundo e tem como objetivo repovoar áreas onde o caranguejo se encontra praticamente extinto.

Após a soltura, pesquisadores vão acompanhar o desenvolvimento desses animais por dois anos. “O estudo na área de pesquisa do Ecoplan é muito importante pois, como os caranguejos serão soltos em uma região que não tem interferência do homem, poderemos saber exatamente quais as chances de sobrevivência desses exemplares”, explica o coordenador do GIA, Antonio Ostrensky.

Segundo Ostrensky, na natureza, normalmente apenas um caranguejo em cada 100 mil que nascem consegue atingir o tamanho comercial. “Se o projeto conseguir fazer com que sobreviva um em cada 100 animais, teremos um ganho de 1.000%”, comemora.

Atualmente, o caranguejo é um importante recurso de sobrevivência para os pescadores do litoral. Porém, Ostrensky explica que a espécie é muito sensível. Antes da juventude, os caranguejos passam por sete estágios larvais. “Nesta etapa, a mortandade desses animais é muito grande”, diz Ostrensky.

É justamente para vencer esta etapa da vida que o programa está sendo realizado. Os caranguejos passam 45 dias em laboratório, justamente a fase onde a espécie ainda é larva, para depois serem soltos na natureza. “Ao fazer com que eles sobrevivam a este período mais crítico, criamos condições para que um maior número de caranguejos atinja a idade adulta e o tamanho comercial”,
justifica o pesquisador.

Ostrensky diz que não há estatísticas que mostrem o real impacto que a espécie vem sofrendo ao longo dos anos. Mas estima-se que, com a captura indiscriminada, “o tamanho médio dos animais capturados pelos catadores profissionais de todo o país tenha sofrido uma redução de pelo menos 20% nos últimos 7 anos”. Em algumas regiões, o caranguejo simplesmente desapareceu em
função da poluição e da captura desordenada.

Para o presidente do Instituto Ecoplan, Marco Ziliotto, a parceria com o GIA é fundamental e vai ao encontro das propostas e ações, ambientais e sociais que o Ecoplan idealiza para a região do litoral do Paraná, em especial na baía de Guaratuba e seus ecossistemas associados. “Por meio desta iniciativa pioneira os benefícios sociais, ambientais e econômicos estão em equilíbrio, promovendo o desenvolvimento sustentável com responsabilidade social”, afirma Ziliotto.

O trabalho está sendo realizado pela UFPR desde o ano passado, com o apoio da Petrobras. Agora em janeiro, a universidade firmou a parceira com o Instituto Ecoplan, que está disponibilizando a logistica para o projeto alem da sua experiência tecnica em questões socioambientais . “É fundamental ter uma área de preservação para desenvolver o trabalho. Somente assim teremos um resultado real da pesquisa”, justifica Ostrensky. (Ascom Ecoplan)

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