Pesquisadores desconhecem a Amazônia

Dos 452 projetos de pesquisa sobre a Amazônia em todas as áreas de conhecimento durante os primeiros quatro meses de 2004, apenas 41 eram de cientistas que estão vivendo na região, o que significa menos de 10% do total.

E apenas 100 trabalhos são desenvolvidos por pesquisadores brasileiros. “Ainda não temos sequer a capacidade de decodificar o que é produzido na Amazônia”, alerta o pesquisador Adalberto Luis Val, do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que discutiu os aspectos sociais, econômicos e políticos da Ciência e Tecnologia na Amazônia, durante o Fórum de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade do Estado do Pará (Uepa), realizado de 9 a 11 deste mês, em Belém.

Segundo o estudioso do Inpa, um dos principais problemas para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia na Amazônia é justamente o fato de que a região tem sido tratada de forma desigual na distribuição de recursos para investimento no setor. “Não podemos tratar regiões diferentes de forma tão diferente assim”, salienta. “Uma solução é espalhar as fundações de amparo a pesquisa para que a Amazônia não seja tão esquecida”, sugere.

Desconhecimento O levantamento feito por Adalberto Val tem como base dados da própria Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e mostra que se os brasileiros não conhecem as potencialidades amazônicas, o mesmo não se pode falar dos estrangeiros. Apenas 25% das pesquisas na região são feitas por brasileiros. O restante, na maioria é feita por pesquisadores dos Estados Unidos e Alemanha. O desconhecimento sobre a região provoca distorções que inviabilizam o desenvolvimento da Amazônia. “São 20 milhões de pessoas vivendo na Amazônia. A metade não tem acesso à energia elétrica. Sem energia elétrica, uma conquista da civilização, não há informação. Há 20 línguas diferentes sendo faladas na região e que estão fadadas a desaparecer porque não há pessoas aptas a mapear essas línguas. Sem entender esse aspecto cultural não temos como intervir positivamente na região”.

Mesmo ocupando quase 60% do território nacional e com uma fauna e flora riquíssimas a Amazônia conta com poucos doutores atuando. São menos de mil e a maior parte longe dos laboratórios de pesquisa. Existe apenas um único curso de doutorado em Botânica na Amazônia. Nenhum no Centro-Oeste, onde o Pantanal também é uma fonte de variedade de fauna e flora. “Falta uma política de fixação dos doutores na Amazônia”, diz o pesquisador do INPA.(amazonia.org)