Ibama cria comitê para estudar sardinhas

Em três décadas, a pesca da sardinha verdadeira no Brasil caiu cerca de 80%. Para recuperar os estoques, o presidente do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Marcus Barros, criou o Comitê de Gestão de Uso Sustentável de Sardinha Verdadeira composto por integrantes do governo, do setor produtivo e de organização não-governamental.

O governo quer compartilhar com o setor privado a responsabilidade pela recuperação dos estoques da sardinha de forma suficiente para elevar a 120 mil toneladas anuais a pesca desta espécie. No ano passado, a produção foi de 50 mil toneladas e o Brasil teve de importar outras 60 mil toneladas para atender o parque enlatador.

A sardinha verdadeira era abundante no litoral entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em 1973, foram pescadas 223 mil toneladas. O coordenador de Estudos e Pesquisas Pesqueiras do Ibama, Hiram Lopes Pereira, conta que em tempos áureos era possível capturar até 20 toneladas num único cerco do cardume. Atualmente, a mesma operação obtém no máximo seis toneladas.

A redução dos estoques levou o governo a proibir a pesca da sardinha duas vezes no ano passado, somando seis meses de defeso. O comitê criado por portaria do presidente do Ibama estudará novas medidas. O grupo, constituído de forma paritária entre governo e grupos de interesse na pesca, não tem poder deliberativo. Sua função é “assessorar o Ibama na tomada de decisão sobre a gestão do uso sustentável de sardinha verdadeira”.

O comitê contará com representantes de cinco ministérios e entidades, como a Confederação Nacional dos Pescadores e Sindicato das Indústrias de Pesca. Marcus Barros aguarda a indicação de nomes dos representantes e respectivos suplentes para um mandado de dois anos para instalar o comitê. A primeira reunião está prevista para logo após o carnaval. (Sandra Sato / Ibama)