Funai aguarda ação da Polícia Federal para retirar indígenas que ocuparam sede de Manaus/AM

A Funai – Fundação Nacional do Índio aguarda a ação da Polícia Federal para retirar os quase 100 índios que ocupam a sede da Fundação em Manaus (AM) há 19 dias. A afirmação é do presidente da Funai em exercício, Roberto Lustosa.

Na sexta-feira (21), a Funai enviou um substituto à Manaus para assumir o cargo do administrador regional da instituição, Benedito Rangel. Neste sábado (22), os indígenas disseram que continuarão na sede da Funai até que o novo administrador converse com as lideranças. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente em exercício da Funai rebateu as declarações dos índios. “Não houve nenhum entendimento sobre a ida de um funcionário. O único compromisso é que ele seria nomeado”, diz.

Segundo Lustosa, a Polícia Federal já está com o mandado de reintegração de posse para “tirar os índios de lá”. Ele afirma que “não há a menor possibilidade de algum funcionário da Funai ir até o prédio porque eles podem fazê-lo refém”.

Para o presidente em exercício, a ocupação do prédio “causa prejuízo a todas as populações indígenas da região porque a Funai está parada há três semanas”. O presidente diz ainda que os índios que estão no local “são índios urbanos que moram em Manaus” e que, na sexta-feira pela manhã, um funcionário da Fundação “foi violentamente agredido e espancado a socos e pontapés”.

A principal reclamação dos indígenas, ainda segundo Jecinaldo Sateré-Mawé, principal líder da manifestação e coordenador-geral da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), é em relação à demora na demarcação de terras dos Mura na região de Autazes (AM). (Alessandra Bastos / Agência Brasil)