Ibama considera válida e legal audiência pública sobre integração do São Francisco em Minas Gerais

O Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis conseguiu cassar a liminar impetrada pelo governo do estado de Minas Gerais e o Ministério Público estadual e realizou a quinta audiência pública sobre o EIA – Estudo de Impacto Ambiental do Projeto de Integração do Rio São Francisco a Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, em Belo Horizonte (MG). O encontro, no entanto, foi aberto e encerrado oficialmente nesta terça-feira (25) sem debates.

Pelo Ibama, a audiência foi considerada válida e legal e só com a conclusão da rodada, o processo será avaliado e apresentados novos rumos, como a possibilidade de mais uma audiência no estado.

“Como o governo não aceitou as nossas reivindicações, inviabilizamos a audiência”, disse Maria Dalci Ricas, superintendente executiva da Amda – Associação Mineira de Defesa do Ambiente. Segundo ela, a Resolução 0186 do Conama – Conselho Nacional de Meio Ambiente, que regulamentou o artigo da Constituição Federal que prevê as audiências públicas, determina a realização de estudos abrangendo toda a baía.

“No caso do São Francisco, isso ainda é mais verdadeiro porque a maior parte da bacia está em Minas Gerais e o estado é responsável por 73,5% da água na calha do rio, enquanto a Bahia joga 20% na calha. Por incrível que parece, o estudo não tem uma vírgula sequer sobre Minas Gerais, sobre impactos negativos ou positivos”, afirmou.

Dalci defendeu maior participação da sociedade nas audiências. De acordo com ela, pescadores de Pirapora, Paracatu e Januária, a mais de 800 quilômetros de Belo Horizonte, não se deslocariam até o local. A superintendente da Amda disse que sugeriu ao Ibama a realização de pelo menos seis encontros, mas recebeu como resposta a informação de que já haveria um em Belo Horizonte.

“Não temos nenhum motivo para aceitar uma audiência pública como essa, que apenas daria um caráter de legalidade ao processo de licenciamento. Queremos, no mínimo, três audiências que permitam participação maior dos mineiros neste processo de discussão”, disse. (Keite Camacho/Radiobrás)