Especialistas discutem preço para salvar natureza

A natureza tem um preço e o mercado pode resolver problemas tão complexos quanto a perda do meio natural, a extinção dos elefantes ou o desaparecimento de um anfíbio? Estas e outras perguntas dividem os inúmeros cientistas reunidos desde segunda-feira (24), em Paris (França), na conferência internacional sobre biodiversidade.

As espécies e os meios naturais desaparecem em grande velocidade devido ao impacto da atividade humana. Esta perda de biodiversidade ameaça custar caro ao homem, que tira da natureza alimentos e medicamentos, sem falar da qualidade do ar e da água e o mercado não leva em conta esses valores.

Ao contrário do que acontece com a mudança climática, que conta com o Protocolo de Kyoto para impor reduções à emissão de gases de efeito estufa nos países ocidentais, a Convenção sobre a Biodiversidade Biológica (1992) não está vinculada.

Kyoto criou, inclusive, um mercado em que empresas e países podem negociar “permissões de emissão”. A redução de uma tonelada de CO2 – principal gás causador do efeito estufa – pôde ser feita em Pequim ou Paris sempre que possível.

“Como somar ou subtrair um caranguejo, um macaco ou um homem?”, questiona Jacques Weber, diretor do Instituto Francês de Biodiversidade. Por exemplo, no caso das manchas negras, as indenizações só se referem a conseqüências econômicas e não os danos ao meio ambiente.

Em alguns países, os agricultores que preservam os meios frágeis recebem indenizações. Na fórmula “dívida pela natureza”, lançada pelos países nórdicos, um país reduz ou elimina sua dívida em troca de proteger a natureza.

Fundos de compensação parecidos já existem nos Estados Unidos. A dificuldade é fixar valores, uma “monetarização” da natureza que também ocupa os debates dos especialistas envolvidos na questão. (Terra.com)