Reabertura da Funai em Manaus/AM não tem previsão, diz Lustosa

A sede da Funai – Fundação Nacional do Índio em Manaus (AM) foi desocupada nesta quinta-feira (10), depois de ter ficado 39 dias sob ocupação de índios. O presidente em exercício da Funai, Roberto Lustosa, disse que o órgão permanecerá fechado por não ter como garantir a segurança dos funcionários.

“Não havia nem tranqüilidade nem segurança para os funcionários trabalharem. Os funcionários estavam sendo constantemente ameaçados e assediados por grupos que estavam no local”, disse Lustosa, em entrevista exclusiva à Radiobrás.

No dia 3 de janeiro, aproximadamente 100 índios de diferentes etnias, incluindo mulheres e crianças, ocuparam a representação da Funai em Manaus. Cerca de 30 índios ainda permaneciam no prédio até quinta-feira, apesar de a reintegração de posse já ter sido concedida pela Justiça Federal no fim de janeiro.

O presidente em exercício informou que a Funai já solicitou à Justiça o pedido de intervenção da Polícia Federal para controlar a situação na capital do Amazonas. De acordo com ele, não há previsão para reabertura da Funai.

Com a ocupação, os índios exigiam a saída do administrador, Benedito Rangel, e a nomeação de um índio para o cargo. Rangel pediu sua exoneração no final de janeiro e foi substituído por um interventor, Manuel Alves de Paula, nomeado pela direção nacional da Funai.

Segundo Lustosa, o administrador interino está retornando a Brasília (DF). “Nós estamos sempre na iminência de ser invadido. Isso cria um clima de insegurança muito grande e torna inviável a gestão de qualquer administrador que venha a ser nomeado”, argumentou.

Roberto Lustosa disse que a exigência dos índios de indicarem o administrador de Manaus não tem como ser atendida. “Isso está fora de questão porque foi colocado praticamente como uma imposição”, afirmou.

O representante da Coiab – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Benjamin Baniwa, – um dos três cotados pelos índios para assumir o cargo –, afirma que não há imposição de nomes para a Funai. “Na verdade não está fechado nesses nomes. Os índios querem que seja alguém da confiança deles”, explicou Baniwa. Além dele, as lideranças indígenas da região indicaram à Funai outros dois nomes: Alberto Baré e Estevão Tucano.

Os índios também exigem a demarcação da terra dos Mura, no município de Autazes (AM), a 113 quilômetros de Manaus. O descaso da administração regional da Funai com a questão da demarcação de terras, segundo Baniwa, foi um dos motivos para a ocupação da instituição. “A Justiça Federal nomeou um especialista em povos indígenas para fazer um levantamento das denúncias, uma espécie de auditoria”, disse Baniwa.

Segundo ele, o descaso da administração também ocorria em relação às denúncias de prisão ilegal e tortura de líderes indígenas e de estupro de índias. Nos próximos dias, uma comissão indígena deve ir a Brasília para negociar uma solução para a Funai de Manaus. (Cecília Jorge/Radiobrás)