EUA tiveram “boas razões” para rejeitar Kyoto, afirma a Casa Branca

Os Estados Unidos tiveram “muito boas razões” para ter rejeitado o Protocolo de Kyoto, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, ao comentar a entrada em vigor do tratado, nesta quarta-feira (16). “O Senado americano se expressou claramente, anos atrás, sobre o Protocolo de Kyoto e votou por unanimidade contra este enfoque, por muito boas razões”, disse ele.

McClellan não especificou as razões, mas o governo de George W. Bush vem afirmando há tempos que as restrições às emissões de gases, estabelecidas no tratado, vão afetar a produção industrial dos EUA. Ele ressaltou, por outro lado, as medidas adotadas para reduzir as emissões no país.

“Sob esta administração, estamos comprometidos como nunca antes para reduzir (as emissões de) gases causadores do efeito estufa, mas de modo a permitir que nossa economia continue prosperando”, disse o porta-voz. “Continuamos avançando com energia para fazer frente às mudanças climáticas.”

Insistência – O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta quarta-feira, que espera convencer o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a participar do debate internacional de luta contra a mudança climática.

Blair acrescentou que o único jeito de evitar uma catástrofe ambiental é trazendo os Estados Unidos de volta para as negociações.

O primeiro-ministro lembrou ainda do Caso chinês e indiano, e afirmou que é necessário implicar no processo as duas potências emergentes que, até agora, estão isentas de aplicação.

Montreal – O primeiro-ministro do Canadá, Paul Martin, anunciou nesta quarta-feira que Montreal sediará uma conferência internacional da ONU, em dezembro. A reunião buscará decidir as medidas a serem tomadas para remediar a mudança climática uma vez expirado o Protocolo de Kyoto, em 2012.

“A reunião marcará o início da discussão entre países para determinar o programa global a longo prazo sobre a mudança climática após 2012. Será decisivo para estipular a ação global futura sobre mudança climática”, afirmou Martin em comunicado.

O Canadá ainda assinalou que, como organizador, pretende dar uma oportunidade para “produzir um acordo eficaz e global, um que inclua os Estados Unidos e que estabeleça objetivos para nações emergentes como China e Índia”.

Países emergentes – As metas estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto para a redução das emissões de gases poluentes vão exigir a contribuição dos países em desenvolvimento, com projetos de energia renovável e preservação ambiental, disse Ken Newcombe, responsável pelos Fundos de Carbono do Banco Mundial.

Segundo o representante do Bird, os países relacionados no tratado como obrigados a reduzir suas emissões tenderão a investir nestes projetos, que acabarão sendo menos custosos. Para Newcombe, ficaria muito caro para os países industrializados atingir as metas de Kyoto com projetos nacionais.

O representante do Bird calcula que os países desenvolvidos terão de pagar a outros países por cerca de 3 bilhões de toneladas de CO2. O Protocolo de Kyoto cria um sistema de créditos de carbono pelo qual os países podem compensar suas emissões de gases pagando a outros países em desenvolvimento que têm projetos de energia renovável e áreas de manejo ambiental.

Países como Chile, Marrocos e Índia já participam de projetos de redução de emissões de CO2 que são negociados sob a supervisão do Banco Mundial, lembrou Newcombe. Atualmente o Bird administra cerca de US$ 800 milhões em fundos de emissões. (Estadão Online)