Pará: ministros e lideranças do Estado discutem situação do Estado

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, se reunirá nesta terça-feira (22), em Brasília (DF), com lideranças da região Oeste do Estado do Pará, representantes do Grupo de Trabalho Amazônico (Rede GTA), dos sindicatos e organizações comunitárias da região, o procurador geral da República, Cláudio Fontelles, que está acompanhando as investigações do assassinato da missionária Dorothy Stang, e os ministros Marina Silva, do Meio Ambiente, e Miguel Rosseto, do Desenvolvimento Agrário, para discutir a situação no Estado e a segurança das pessoas que estão sendo ameaçadas.

Segundo o secretário geral da Rede GTA, Adilson Vieira, a pauta da reunião deve abordar a segurança das lideranças que estão sendo ameaçadas, a ampliação das áreas de conservação, a definição da federalização das investigações sobre a morte de Stang, entre outros assuntos. “Nosso objetivo com essa reunião é sensibilizar o ministro Dirceu e fazer um apelo para essa questão da resolução dos problemas, mais especificamente daquela região do Pará, e para a Amazônia inteira”, informou a presidente da Rede GTA, Maria de Aquino.

Em entrevista à Rádio Nacional AM de Brasília, Maria de Aquino disse que as ações desenvolvidas pelo governo no Pará são importantes, mas insuficientes. “Não basta mandar somente força–tarefa fazer a proteção às pessoas ameaçadas. Temos que regularizar efetivamente toda aquela situação fundiária de desordenamento que está instalada hoje. Muitas ações estruturais precisam ser realizadas para que as famílias da região consigam, de maneira sustentável, produzir e proteger a questão ambiental, social e cultural.”

A presidente da Rede GTA destacou que, depois do assassinato da missionária, o número de ameaças se intensificou. “As lideranças que são juradas de morte são muito corajosas de permanecer naquela região. Quem conhece lá sabe que, até hoje, tanto a polícia local como os órgãos de fiscalização, como o Ibama e o Incra, são muito omissos nas resoluções dessas questões e, muitas vezes, esses órgãos são completamente desestruturados para isso. Não têm a menor condição de exercer seu papel”, denunciou.

Além da reunião desta terça-feira, a Rede GTA promoverá uma assembléia geral com 600 lideranças da região, em março, para discutir ações concretas e imediatas para serem implementadas. “A gente espera contar com a sensibilidade não só do governo federal, mas dos governos estaduais para resolverem essas questões que são de total responsabilidade deles”, concluiu Maria de Aquino. (Juliana Borre / Agência Brasil)