ONU faz duro alerta sobre risco de pandemia com gripe aviária

A ONU – Organização das Nações Unidas lançou nesta quarta-feira (23) o que está sendo considerado seu mais duro e claro alerta sobre o risco de a gripe aviária, que vem assolando a Ásia, dar origem a uma pandemia que se espera há décadas. O vírus que preocupa tanto a ONU é o H5N1, que já matou 46 pessoas e cuja ocorrência entre aves já é considerada uma endemia em vários países asiáticos.

O mundo vinha enfrentando pandemias de gripe a cada 20 ou 30 anos, mas faz 40 anos que a última ocorreu e o H5N1 vem se mostrando especialmente letal. Alguns especialistas temem que, se tornando facilmente transmissível de uma pessoa para outra, o vírus cause devastação semelhante à gripe espanhola, que matou dezenas de milhões de pessoas no início do século passado.

“O mundo corre agora um dos mais graves riscos de uma pandemia”, alertou Shigeru Omi, chefe da OMS – Organização Mundial de Saúde na Ásia, durante conferência sobre gripe aviária no Vietnã, país mais atingido pelo vírus H5N1.

Omi disse que é “altamente provável” que o vírus seja a fonte da próxima pandemia, a não ser que sejam tomadas medidas enérgicas. O H5N1 foi identificado pela primeira vez em pessoas em 1997, em Hong Kong, quando infectou 18 pessoas e matou seis. No fim de 2003, o vírus ressurgiu nos frangos e se espalhou por grande parte da Ásia, infectando dezenas de pessoas, com letalidade estimada em 80%.

Joseph Domenech, da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, com sede em Roma, exortou os países ricos a agirem: “Se eles não fizerem mais, a qualquer momento o problema poderá aparecer entre eles”, afirmou a repórteres em Ho Chi Minh, cidade de 10 milhões de habitantes, perto do delta do Rio Mekong, onde surgiram, em dezembro, os mais recentes casos no Vietnã.

O novo surto no Vietnã matou 13 pessoas. Todas, como as vítimas anteriores, parecem ter contraído a doença a partir de contato direto com aves infectadas.

Mas o que os especialistas temem é que o vírus H5N1 possa chegar a um ser humano ou animal previamente infectado por um vírus de gripe humana, troque genes com ele (o que é comum) e a mutação confira a ele a capacidade de fácil contágio entre humanos – como na gripe comum. Com isso, a população mundial se veria vulnerável, sem imunidade diante de um vírus animal inteiramente novo e altamente letal. Milhões poderiam morrer.

No primeiro encontro sobre gripe aviária, realizado em 2004 em Bangcoc (Tailândia), especialistas haviam falado com confiança sobre as chances de erradicação do vírus. O tom mudou. (Globo.com)