Governo fará mapa de áreas ameaçadas

O governo federal e o Ministério do Meio Ambiente começam a reagir à morte violenta do ambientalista Dionísio Júlio Ribeiro, ocorrida na noite de terça-feira (22), a 200 metros da Reserva Biológica do Tinguá, em Nova Iguaçu (RJ). O primeiro passo é a publicação, em março, de um edital de concurso para contratação de 610 agentes para o Ibama – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis para todo o Brasil. Deste total, 25 serão destinados ao Rio de Janeiro e seis provavelmente trabalharão como fiscais na reserva do Tinguá.

A ministra Marina Silva pretende também firmar convênios com guardas municipais de todo o Brasil para ajudar na vigilância das unidades de conservação. A primeira prefeitura a criar uma guarda e destinar efetivo para este fim será a de Nova Iguaçu.

O passo maior dado pelo governo na parceria com os ambientalistas será mesmo o mapeamento de todas as reservas e áreas de conflito onde há ameaças físicas a ambientalistas e unidades de conservação. A tarefa no Rio de Janeiro foi delegada pela ministra nesta quinta-feira (24) ao deputado estadual Carlos Minc (PT).

A ministra ressaltou que pretende mobilizar diversos setores do governo na luta contra as ameaças a ambientalistas. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Marina disse que está em conversas constantes com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda.

“Temos um conjunto de medidas a serem implementadas, também na região da Amazônia. Conversei com o ministro do Planejamento (Nelson Machado) e abordamos estes assuntos”, disse Marina, que telefonou, nesta quinta-feira (24), para a prima de Dionísio Júlio, Marize, durante o velório.

O governo criou nos últimos dias seis novas unidades de conservação, elevando o número de áreas protegidas federais no país para 264, não incluindo as RPPNs – Reservas Particulares do Patrimônio Nacional. As novas reservas, de proteção integral e de uso sustentável, somam mais de cinco milhões de hectares. Desde o início do governo, a implementação de unidades de conservação chega a oito milhões de hectares, área semelhante a do estado do Mato Grosso. Atualmente, as áreas protegidas representam pouco mais de 6% do território brasileiro.

A ministra já recebeu diversos relatos ainda de forma oficiosa, sobre o crime do Tinguá. A participação de pessoas ligadas à extração ilegal de areia da reserva não está descartada, segundo Marina. Quanto à denúncia publicada nesta quinta-feira pelo Jornal do Brasil, de que três dos quatro fiscais do Ibama que trabalhavam na reserva estão sob processo administrativo, a ministra foi enfática: “Não vamos cometer nenhuma injustiça, mas qualquer denúncia no Ministério do Meio Ambiente será rigorosamente investigada. Nos últimos dois anostivemos diversos funcionários demitidos. Não admitiremos conivência”.

O secretário de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, recebeu nesta quinta-feira à tarde uma comissão de ambientalistas da ONG Grupo de Defesa da Natureza. Itagiba solicitou aos ambientalistas um relatório, o mais rápido possível, com todas as informações disponíveis para que, com base no documento, seja imediatamente instaurado inquérito policial, para apurar todos os casos de ameaças. “Além de determinar a apuração rigorosa do homicídio, cuja investigação cabe à polícia estadual, coloquei à disposição do governo federal as forças estaduais especializadas”, disse.

O gerente executivo do Ibama no Rio de Janeiro, Edson Bedim de Azeredo, disse que uma força-tarefa com agentes do Ibama, da Polícia Federal e do Batalhão Florestal da Polícia Militar vai ajudar nas investigações sobre o crime. Segundo ele, será confeccionado um mapa dos conflitos sócio-ambientais no entorno da reserva. “Vamos levantar as ações ílicitas que possam ter envolvimento com o crime”, adiantou Bedim.

O deputado federal Fernando Gabeira, que participou das investigações sobre o assassinato da missionária Dorothy Stang, no Pará, sugeriu uma operação de desarmamento na Baixada Fluminense. Ele quer a adoção da reserva por uma empresa privada do país, entre elas a Petrobrás. Gabeira defendeu ação do Exército na área. (Gustavo de Almeida/ JB Online)