Contrária à transposição, Bahia investe na revitalização do Rio São Francisco

O Governo da Bahia está investindo diretamente em projetos de revitalização do Rio São Francisco e no estimulo à navegação. Um bom exemplo é a construção da embarcação fluviográfica “Velho Theo”, que fará os levantamentos físicos e estudos voltados à recuperação do Velho Chico e será o primeiro passo do plano-piloto de revitalização do Vale do São Francisco, que está sendo implantado pela Secretaria do Planejamento (Seplan) com um caráter preservacionista.

O barco será lançado ao rio pelo governador Paulo Souto no próximo sábado (5), às 10h, no município de Juazeiro.

A embarcação tem instrumentos de posicionamento por satélite que permitirão a confecção das cartas náuticas digitalizadas, que viabilizarão rotas de navegação mais seguras para o transporte de cargas no São Francisco. “Ela está dotada de equipamentos modernos que irão monitorar de forma sistemática o leito do rio, colaborando para um melhor conhecimento da dinâmica do transporte fluvial de sedimentos e a melhor locação da rota de navegação para as embarcações que transportam as cargas oriundas do oeste da Bahia”, explicou o secretário do Planejamento, Armando Avena.

O nome “Velho Theo” é uma dupla homenagem: ao Velho Chico e ao engenheiro Theodomiro Araújo, crítico ferrenho do projeto da transposição, que morreu em 2003 e dedicou toda a vida à defesa do São Francisco. A embarcação deverá estudar e mapear um trecho de 610 quilômetros, entre Ibotirama e Juazeiro, especialmente trechos críticos como Igarité, Meleiro. Umbuzeiro e outros, para fazer com que a navegação ganhe em rapidez, eficiência e segurança, tornando
viável o transporte de 800 mil toneladas de produtos em cinco anos.

Do tipo Catamarã, a embarcação foi construída em aço e possui 15 metros de comprimento e seis de largura, com capacidade para levar até dez pessoas, entre técnicos e tripulantes. Sua construção foi possível graças a um convênio entre a Seplan e a Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (Fundespa).

Monitoramento

Além de monitorar as condições de navegabilidade do rio, a embarcação também vai identificar pontos críticos, como pedras e bancos de areia que poderão ser objeto de futuras intervenções, como derrocamentos e dragagens, melhorando as condições gerais de navegação do São Francisco.

As cartas náuticas permitirão que a navegação no rio possa ser feita durante 24 horas. Hoje, ela só pode acontecer à luz do dia, já que é orientada visualmente. A expectativa é que o novo recurso permita o aumento da utilização do trecho em escala comercial. Atualmente, a empresa Caramuru Alimentos, uma das maiores esmagadoras de soja do país, já transporta soja em grãos de
Ibotirama a Petrolina.

A safra baiana de grãos de 2004 bateu recorde histórico, chegando a 5,4 milhões de toneladas, o que representa 4,8% da produção do Brasil e uma alta de quase 50% em relação a 2003. A safra de soja do oeste baiano, produto quase totalmente voltado para exportação, foi de 2,36 milhões de toneladas.

A embarcação construída e operada pela Fundespa é um barco-laboratório idêntico ao que hoje atua na bacia do Tietê-Paraná e na hidrovia do rio Madeira (Amazonas), com tecnologia aplicada internacionalmente.

Numa fase posterior, a população que vive às margens do São Francisco deverá receber treinamento para participar do processo de monitoramento do rio. Está prevista também a extensão do trabalho da Fundespa para o rio Grande, no trecho de Barreiras a Barra, e no rio Corrente, de Santa Maria da Vitória até a foz.

O monitoramento também deverá resultar na organização de uma série histórica, que mostrará as variações ocorridas no rio no decorrer das quatro estações.(CRA)