Crianças índias mortas nesta semana não estavam desnutridas, diz Funasa

O Estado do Mato Grosso do Sul já registrou neste ano oito mortes de crianças índias por desnutrição. Seis casos ocorreram em Dourados, um em Japorã e outro em Iguatemi. Mais duas crianças morreram nesta quinta-feira (3) e sexta-feira (4) no estado, mas a Funasa – Fundação Nacional de Saúde, órgão do Ministério da Saúde responsável pelo atendimento à saúde do índio, não aponta a desnutrição como causa.

Segundo o diretor do Desai – Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Alexandre Padilha, uma das crianças, que estava com pneumonia e gastroenterite, teve parada cardiorrespiratória na madrugada de hoje. “Essa criança era do município de Paranhos (MS) e foi internada no Hospital da Mulher, em Dourados, apresentando quadro bem avançado de pneumonia e não estava desnutrida”, disse Padilha. A criança, de três meses, pesava 4,950 quilos e media 56 cm.

De acordo com Padilha, a outra criança, que morreu nesta quinta-feira, também em Dourados, foi vítima de queimadura com um produto químico que a mãe usou em sua pele e que nada tinha a ver com desnutrição. “A criança estava internada no hospital de Dourados desde o dia 9 de fevereiro por problemas de lesão na pele”, informou Alexandre Padilha.

Ele ressaltou que equipes de médicos, enfermeiros e nutricionistas da Funasa estão fazendo um mutirão em Mato Grosso do Sul para salvar crianças indígenas da desnutrição. “Quinhentas crianças estão sendo avaliadas pelas equipes de saúde, e 120 delas passam por pesagem a cada dois dias e recebem tratamento para combater a desnutrição”, informou Padilha. Segundo o diretor da Funasa, 29,5% das crianças já saíram da situação de desnutrição.

O mutirão chegou nesta quinta-feira à aldeia de Porto Lindo, no município de Japorã, a 460 quilômetros de Campo Grande, para prestar socorro a 198 crianças índias menores de cinco anos de idade que apresentam quadro de desnutrição. (Lourival Macedo/ Radiobrás)