Índios denunciam contaminação de rios por agrotóxico

Lideranças da etnia craô, que vive em reserva nacional no nordeste do Tocantins, denunciaram ao Ministério Público Federal que a expansão do agronegócio tem provocado a contaminação por agrotóxicos dos rios e córregos que banham a reserva. A denúncia foi levada ao procurador-geral da República no Tocantins, Adrian Pereira Ziemba, que investigará o caso.

Os índios craôs reclamam de poluição das águas dos rios que utilizam para beber e banhar-se devido ao avanço das plantações de soja até as margens. A reclamação dos craôs foi encampada pela ONG CTI – Centro de Trabalho Indigenista e pelo indigenista Fernando Schiavini, que atuam na reserva.

“A situação tende a se agravar porque a soja está no limite dos rios”, diz Schiavini. “Tanto os índios como as comunidades estão ficando cercados pela soja.” “No caso dos agricultores, o avião lança veneno sobre as casas deles”, diz Jaime Siqueira, um dos coordenadores da ONG.

Para o engenheiro agrônomo Décio Galvão, da Coapa – Cooperativa dos Produtores Agrícolas da região, a dosagem de inseticidas, herbicidas e adubos borrifada sobre as lavouras é controlada pelas empresas que beneficiam a soja e insuficientes para causar a contaminação de um rio.

A reserva, conhecida como Terra Indígena Craolândia está situada nas cidades de Goiatins e Itacajá (422 km e 321 km de Palmas).

O Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis diz que a responsabilidade pela fiscalização é do governo estadual. A Secretaria de Agricultura do Tocantins disse desconhecer o tema e que o problema não é da sua competência.

Antes das queixas dos índios, a CPT – Comissão Pastoral da Terra havia pedido ao Ministério Público Estadual, em julho de 2004, que apurasse as causas das mortes de duas pessoas _ uma delas criança _, supostamente decorrentes de envenenamento. A Promotoria, entretanto, não instaurou procedimento para averiguar o caso. À época, apenas alguns fazendeiros foram multados pelo Ibama por devastação.

Segundo Pedro Antonio Ribeiro, da CPT, casos de intoxicação de colonos são recorrentes, mas poucos são investigados porque “as pessoas lá morrem e acabam enterradas no mato mesmo”.

Morte por desnutrição – Em Mato Grosso do Sul, a desnutrição continua causando a morte de crianças indígenas. A índia guarani-caiuá Eliane Martins, que tinha um mês e sete dias de vida, morreu de pneumonia causada por desnutrição na terça-feira (15) em Amambaí (393 km de Campo Grande), disse nesta quinta-feira (17) Meire Dutra, diretor administrativo do Hospital Regional da cidade, onde a índia estava internada desde o dia 5.

A Funasa – Fundação Nacional de Saúde, responsável pela assistência médica dos índios, disse que desconhece o caso. A última morte de criança indígena, segundo o órgão, ocorreu no dia 6, em Dourados (218 km da capital), e não por desnutrição. Neste ano, a fome já matou 13 crianças indígenas menores de cinco anos da etnia guarani-caiuá no sul do Mato Grosso do Sul. Em 2004, foram 15 mortes. (Silvio Navarro/ Folha Online)