Mudanças climáticas dominam reunião de ministros do G8

Os ministros do Meio Ambiente e do Desenvolvimento do Grupo dos Oito (G8) começaram nesta quinta-feira (17) uma reunião de dois dias em Derby, centro da Inglaterra, para discutir as mudanças climáticas, no primeiro encontro desse tipo no âmbito do G8.

Os ministros dos sete países mais ricos do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) e da Rússia também discutem medidas necessárias para ajudar as nações em vias de desenvolvimento a combater a derrubada ilegal de árvores.

A reunião é presidida pelas ministras britânicas do Meio Ambiente, Margaret Beckett, e do Desenvolvimento Internacional, Hilary Benn, e serve de preparação para a cúpula do G8 em Gleneagles, na Escócia, de 6 a 8 de julho. A reunião desta quinta-feira foi realizada com forte esquema de segurança no hotel Breadsall Priory, que fica numa zona rural próxima a Derby, e longe da imprensa e do público.

A polícia bloqueou estradas e levantou barreiras nos arredores de Breadsall Priory, na maior operação policial nesta região em 20 anos. Segundo a polícia, dez pessoas foram presas nesta quinta-feira no centro de Derby durante um protesto, em que cerca de cem manifestantes alertavam sobre a necessidade de água no continente africano.

O encontro reflete a ênfase que a presidência britânica do G8 pôs nas mudanças climáticas e no desenvolvimento na África. Além dos ministros do G8, a reunião conta com a presença de representantes do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, da atual presidência luxemburguesa da UE – União Européia e do Banco Mundial.

A sessão desta quinta-feira teve como tema central o meio ambiente, principalmente a biodiversidade, e o relatório da Comissão para a África, divulgado na semana passada em Londres e que pede o aumento da ajuda para a região.

Nesta sexta-feira será discutida a ajuda humanitária para a África e a ligação entre o desenvolvimento no continente africano e as mudanças climáticas, além da derrubada ilegal de árvores.

O diretor executivo do PNUMA, Klaus Topfer, disse à Agência EFE que esta reunião é um “grande passo adiante” para discutir as mudanças climáticas e destacou que o meio ambiente e o desenvolvimento na África são assuntos relacionados entre si, que devem ser tratados com seriedade.

Os ministros esperam abordar também um documento sobre as mudanças climáticas na África, encomendado em 2004 pelos ministérios sob responsabilidade de Beckett (Meio Ambiente) e Benn (Desenvolvimento Internacional).

Beckett disse que as nações e regiões mais pobres do mundo são mais vulneráveis ao impacto das mudanças climáticas. Já na opinião de Benn, este é “um assunto que afeta profundamente os meios de vida da população nos países em vias de desenvolvimento”.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, considera que as mudanças climáticas são, provavelmente, o assunto mais importante a longo prazo que o mundo enfrenta como comunidade global.

A reunião acontece após o alerta de especialistas de que as temperaturas globais podem aumentar entre 1,4 e 5,8 graus centígrados em um século. Os países do G8 são responsáveis por 65% do PIB – Produto Interno Bruto global e 47% das emissões de dióxido de carbono, que causam o efeito estufa.

Os contatos iniciados em Derby acontecem um mês após a entrada em vigor, em 16 de fevereiro, do Protocolo de Kyoto, assinado por 141 países e que obriga 30 nações industrializadas a reduzir as emissões de gás de efeito estufa que provocam as mudanças climáticas. Os EUA, que não apóiam esse documento, são os maiores emissores desses gases, com 25% do total mundial e 40% entre as nações desenvolvidas. (Agência EFE/ Terra.com)