Especialista aposta que Brasil se tornará o maior pólo de pesquisa sobre café

A aprovação da Lei de Biossegurança irá transformar o Brasil no maior pólo de pesquisa sobre café do mundo. Quem garante é o pesquisador do Iapar – Instituto Agronômico do Paraná e PhD em estudos com o grão, Luiz Gonzaga Vieira. Para ele, o fim da burocracia e do excesso de regras para pesquisa impulsionará o desenvolvimento das técnicas. “Com a lei, os institutos públicos brasileiros poderão realizar suas atividades em pé de igualdade com as empresas privadas de todo o mundo”, analisa.

Poucos países têm o mesmo conhecimento que o Brasil sobre esta transgenia. Segundo Luiz Gonzaga, somente França, Japão e Havaí trabalham com pesquisas de grãos de café modificados. “Somos o terceiro país a dominar esta técnica; Com a lei, o Brasil posiciona-se em condições de competir de igual para igual na corrida dos países que procuram decifrar o genoma cafeeiro e dominar o mercado. A norma permitirá o aumento do conhecimento a respeito dessa planta e irá assegurar a posição de liderança do nosso País na pesquisa genética cafeeira”, diz.

O pesquisador conta que o instituto trabalha em duas vertentes. A mais antiga está relacionada à resistência dos grãos a herbicidas. “Já temos plantas com este genoma”, afirma. O segundo ramo está voltado para o desenvolvimento de grãos que inibem a proliferação de etileno, substância que acelera o processo de maturação do grão. “O objetivo é uniformizar a maturação e torná-los mais uniformes”, diz Luiz Gonzaga.

Ele conta que, como os frutos amadurecem de forma uniforme, há a redução do ciclo de vida da broca, espécie parasitária do café. Além disso, há a redução dos custos com mão-de-obra, já que a colheita pode ser programada ou feita de uma só vez.

As pesquisas do Iapar são mantidas com recursos do Consórcio Brasileiro de Pesquisa Cafeeira e do Padct – Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, do Ministério da Ciência e Tecnologia. “Estes recursos mobilizaram muitos pesquisadores a continuar na área”, conta.

No entanto, o incentivo financeiro não foi o único fator a sensibilizar os cientistas. Em outubro de 2004, pesquisadores brasileiros conseguiram finalizar o mapeamento do genoma do café. “Graças ao conhecimento dos genes, será possível obter uma planta transgênica resistente a doenças como a praga da ferrugem e permitir o desenvolvimento de grãos com maior qualidade de aroma e sabor”, prevê. (Lilian de Macedo/ Radiobrás)