Reservatórios das hidrelétricas estão no menor nível em seis anos

Os reservatórios das usinas hidrelétricas do Sul do país estão com a menor capacidade dos últimos seis anos para um mês de março. Por causa disso, a região está importando energia do Sudeste e da Argentina.

Dados do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico indicam que os lagos, inclusive no Paraná, que guardam água para gerar eletricidade estão com 37% do limite que podem receber. Desde 1999, este nível ficou abaixo de 50% apenas uma vez, em 2000.

De acordo com o MME – Ministério das Minas e Energia, o nível médio dos reservatórios, de 37%, ainda está acima do limite crítico, que é de 22%. Mesmo assim, a possibilidade de racionamento só é afastada porque as outras regiões estão com lagos cheios e permitem que o ONS aumente a energia direcionada do Sudeste para o Sul.

Os quatro estados da região – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, segundo os critérios do ONS – estavam usando 2.800 MW médios provenientes do Sudeste até a semana passada. Este número deve subir a 4.300 MW médios nesta semana. Além disso, a região conta com cerca de 200 MW médios importados da Argentina.

Se a meta for atingida, mais da metade do consumo dos quatro estados, de 8.400 MW médios, será garantido pelas usinas do Sudeste, área com a maior capacidade de produção do país e que engloba Itaipu nos critérios do ONS. Naquela região, o nível dos lagos das hidrelétricas está em 80%.

“O sistema interligado permite esse tipo de compensação quando há falta de chuvas em algumas regiões”, diz Ana Rita Hajmussi, gerente do Centro de Operações do Sistema da Copel – Companhia de Energia Elétrica do Paraná. Segundo ela, a geração do Sudeste é colocada à disposição de todos os estados do Sul e permite que algumas usinas trabalhem menos, “economizando” água.

As maiores hidrelétricas do Sul ficam na bacia do Rio Iguaçu e também foram atingidas pela seca. Ali estão instaladas cinco usinas, todas com produção abaixo da capacidade. O ONS controla o quanto de energia cada instalação deve colocar no sistema e toma essa decisão com base na disponibilidade de água. O órgão também ordena de onde sai a eletricidade que compensa a queda na geração.

A usina de Foz do Areia (PR) é a maior da região, com potência instalada de 1.676 MW. Ali, o lago está com 36,13% da capacidade e a produção foi estabelecida pelo ONS em pouco mais de 560 MW. Situação semelhante ocorre nas outras hidrelétricas da bacia, como Segredo. As usinas do Iguaçu respondem por mais de 65% da capacidade de geração hidráulica na Região Sul e servem como um parâmetro da segurança do fornecimento.

“Foram quatro meses de estiagem no Sul, com chuvas abaixo da média. Mas a situação no Iguaçu ainda é segura, com a vantagem de que o rio recupera facilmente o nível dos reservatórios quando chove”, diz Ana Rita.

Rio Grande – O MME divulgou através de sua assessoria de imprensa que a situação mais preocupante está no Rio Grande do Sul. Ali, as usinas são de porte pequeno, com lagos que se esvaziam rapidamente. O estado já ativou três termelétricas capazes de gerar 1.100 MW e tem uma quarta unidade que pode ser ligada. Mesmo assim, cerca de 70% do consumo do estado vem sendo garantido por instalações de outros locais.

As conversas entre o governo gaúcho e o ministério ainda não envolveram a possibilidade de racionamento, segundo o secretário de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul, Valdir Andres. Uma pequena retração no consumo causada pelas temperaturas mais amenas das duas últimas semanas e a perspectiva de um feriado no próximo fim de semana, que faz cair o uso de energia no comércio e na indústria, deram um respiro para que o estado possa esperar pela chuva. (Guido Orguis – Gazeta do Povo/PR)