Santa Catarina reúne força tarefa para investigar contaminações da Doença de Chagas

Uma força tarefa formada por órgãos do governo do estado de Santa Catarina está sendo organizada para descobrir o motivo da infecção de 19 pessoas, e entre elas, três mortes, relacionadas à Doença de Chagas no litoral do estado. Segundo a Secretaria de Vigilância Sanitária, outras três mortes estão sendo investigadas.

A Secretaria de Agricultura está responsável por rastrear as propriedades onde houve a contaminação das pessoas e a Universidade Federal de Santa Catarina e o Ministério da Saúde estão pesquisando de que forma o agente causador da doença, o inseto conhecido como barbeiro, conseguiu contaminar pessoas pelo caldo de cana, uma vez que o mais comum é o contágio pela picada do inseto é.

Cléber da Silva morador do município de Penha no litoral do estado de Santa Catarina, um dos infectados pela Doença de Chagas, explica que a população está preocupada com a doença: “É um vírus que pegou todo mundo de surpresa e as pessoas estão bem assustadas. O pior é que outras pessoas da minha família também tomaram o mesmo caldo de cana que eu. Elas vão fazer o exame de sangue logo que a Secretaria de Saúde passar lá em casa”.

Os locais de venda e as máquinas de moagem de caldo de cana já estão sendo interditadas em todo estado para evitar que a situação piore. Segundo o consultor da defesa sanitária de Santa Catarina, Roni Tadeu Barbosa, a produção, o comércio e o consumo de caldo de cana estão proibidos na região. “Contamos com a compreensão da população para entender que a ação de proibição do comércio de caldo de cana é uma ação emergencial e momentânea para que se chegue à causa da doença”, enfatizou.

A diretora da Vigilância Sanitária do estado, Raquel Bittencourt, ressalta que o órgão já está investigando a procedência da cana. “As equipes de epideomologia estão indo aos locais de consumo do caldo de cana para rastrear os insetos. Acredita-se na possibilidade de o barbeiro ter sido moído em meio à cana ou de contaminação da bebida pela presença de fezes infectadas”.

As pessoas que beberam caldo de cana a partir do dia 1º de fevereiro no litoral norte do estado de Santa Catarina e que apresentam sintomas como febre, mal estar, dor de cabeça, alterações cardíacas leves e inchaço nos olhos devem procurar os postos de saúde para fazer exames de sangue. O Ministério da Saúde também alerta os países do Mercosul quanto à possibilidade de contaminação, já que muitos turistas passam o verão na região e tomam caldo de cana.(Bianca Estrella/Agência Brasil)