Ministra de Minas e Energia descarta racionamento no Sul, mas acompanha seca com atenção

A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, descartou nesta terça-feira (22) o risco de racionamento de energia na região Sul, mas admitiu que o governo está acompanhando com atenção a seca que atinge a região

A preocupação do governo está no fato de que os reservatórios da região são “nervosos”, segundo a ministra, ou seja, assim como enchem rapidamente, também esvaziam rapidamente, e o período chuvoso na região só deve começar em maio.

O levantamento mais recente do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico mostra que os reservatórios estavam ontem com 37,2% da sua capacidade, apenas 14,9 pontos percentuais acima do limite estabelecido como nível mínimo aceitável, que é de 22,3%, segundo a curva de risco.

“A situação lá está sob controle. Temos recursos suficientes para administrar sem grandes problemas”, afirmou a ministra, mesmo considerando que a “transição” entre a seca e o período chuvoso está mais longa do que o normal.

“De fato, o Sul passou por uma situação muito difícil em matéria de água. Ela é muito mais difícil no que se refere a água para o abastecimento humano, água para irrigação do que para energia elétrica. Mas é óbvio que para energia elétrica também afeta”, disse.

Medidas – O mês de abril deverá ser, então, de monitoramento por parte do governo. Para tentar diminuir o ritmo de esvaziamento dos reservatórios da região, que chegou a caiu um ponto percentual por dia, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico determinou o aumento da transferência de energia da região Sudeste para o Sul do país, de 2.350 MW no início do mês para uma média de 3.400 MW. Hoje essa transferência chegou a 3.839 MW.

A importação de energia da Argentina e a geração térmica também deverão contribuir para melhorar a situação no Sul, segundo a ministra. O consumo na região nos últimos dias está em torno de 8 mil MW.

Na última sexta-feira (18), o Comitê também autorizou em reunião extraordinária a realização de testes para a operação da usina térmica de Uruguaiana (RS) com gás da Argentina, que começou a gerar nesta terça-feira cerca de 200 MW, mas cujo contrato prevê a geração de até 561 MW. Já a importação de energia da Argentina pode chegar a 1.600 MW, segundo os contratos em vigor.

Conjuntura – Dilma Rousseff destacou que a situação na região Sul é “absolutamente conjuntural”, pois o Sul é exportador de energia, inclusive para a própria Argentina, que agora deverá ajudar no abastecimento da região.

Ela lembrou ainda que a construção da linha de transmissão Londrina-Assis-Araraquara, prevista para ser concluída em 2006, vai ampliar a capacidade de intercâmbio de energia entre as regiões Sul e Sudeste em mais 1.000 MW. (Patricia Zimmermman/ Folha Online)