Pesquisador defende ‘agricultura de precisão’ para diminuir efeitos do agronegócio no Pantanal

Não apenas o aumento de gás carbônico na atmosfera ameaça o Pantanal; o agronegócio também. Enquanto a única maneira de diminuir a emissão dos gases seria a assinatura do Protocolo de Kyoto, o diretor do programa Ambiental do Pantanal, ligado à Universidade das Nações Unidas e pró-reitor de pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso, professor Paulo Teixeira, em entrevista à Rádio Nacional AM, defende que para resolver o problema do agronegócio a solução seria desenvolver pesquisas para minimizar os impactos.

“Esse é um processo irreversível, não podemos agora chegar aqui e dizer que não vai ter mais agronegócio, isso é irrealista. Temos é que encontrar formas de adequar esse processo para que cause o mínimo de impacto ambiental possível. É aí que as universidades e as instituições de pesquisa têm muito a contribuir”, explica Teixeira.

Utilizar os recursos da maneira mais racional possível, exemplifica o pró-reitor, seria uma maneira de diminuir esse impacto. “Empregando a agricultura de precisão, que propicia o uso da quantidade mínima possível de agroquímicos; seguindo orientações e usando esses herbicidas de maneira adequada. É impossível reduzir a zero o impacto de atividade humana, qualquer atividade humana vai gerar algum impacto, o que se pode fazer é diminuir ao mínimo possível”, defende. “Não podemos parar de plantar, senão morremos de fome. O que temos que fazer é tentar fazer isso de forma mais branda possível.”

Estudos realizados por consultores das Nações Unidas revelam que uma elevação global da temperatura em torno de quatro graus pode eliminar 85% dos territórios das áreas úmidas do mundo. Há uma grande mudança climática acontecendo no mundo e a conseqüência disso é a concentração de gás carbônico na atmosfera, apontam os estudos.

O gás carbônico tem crescido bastante, afirmam, em função da queima de petróleo e derivados. “É lógico que algum impacto certamente ocorre no Pantanal e talvez seja até da mesma magnitude, mas ainda há de se fazer um estudo voltado para os impactos das mudanças climáticas neste habitat específico”, diz.

De acordo com Teixeira, o Pantanal tem grande importância climática porque atua como um filtro de carbono, estabilizando o clima da região. “Logo, se houver um desastre ecológico, ao invés de reter carbono, essas áreas inundadas irão emitir carbono. Além disso, ele também filtra e purifica a água”.

A área do Pantanal está localizada entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no Brasil. Quando está cheio, alaga uma área de 165 mil quilômetros quadrados. Bolívia e Paraguai também dividem o Pantanal, sendo que 85% está no Brasil, enquanto os outros dois países têm 10% e 5%, respectivamente. (Marília Santos / Agência Brasil)