Líderes da UE desistem de meta de corte de emissões para 2050

Os líderes da União Européia deram na quarta-feira (23) seu apoio a uma ambiciosa meta de corte de emissão de gases que provocam o efeito estufa até 2020, mas desistiram da meta de longo prazo, até 2050, apesar da manifestação favorável de líderes ambientalistas.

Os ministros do Meio-Ambiente da UE haviam concordado que os países desenvolvidos devessem buscar cortes de entre 15 e 30 por cento nas emissões até 2020, e entre 60 a 80 por cento até 2050, em relação aos níveis estabelecidos pelo Protocolo de Kyoto, que usa o ano de 1990 como base.

Mas os chefes de Estado e de governo europeus omitiram a meta para 2050 de sua declaração, depois de uma cúpula de dois dias em Bruxelas (Bélgica). O texto preservou a meta para 2020.

Ambientalistas afirmaram que a Alemanha e a Áustria, que tradicionalmente apoiam as causas ambientais, barraram a meta de longo prazo. “Alemanha e Áustria sempre foram os aliados mais fortes da ação progressiva em relação ao clima, mas de repente suas indústrias de carvão se rebelaram e eles estão bloqueando o resto da UE”, disse o especialista em clima do Greenpeace Mahi Sideridou.

Mas o grupo ambiental disse que estava satisfeito pelo fato de os líderes terem apoiado a meta de 2020, e também o objetivo da UE de manter a elevação da temperatura média mundial abaixo de 2 graus Celsius, em relação aos níveis pré-industriais.

“É a primeira vez que os líderes da UE dizem que nossos esforços, a partir de agora, para barrar a alteração ambiental devem ser guiados pela manutenção da temperatura abaixo de 2 graus”, disse ele.

As decisões são um preparativo para novas negociações sobre alterações climáticas dentro dos parâmetros do Protocolo de Kyoto, que devem ocorrer ainda este ano. (Terra.com)