Primatas brasileiros estão entre os 25 mais ameaçados

O Mico-leão da cara preta (Leontopithecus caissara), o Macaco-prego do peito amarelo (Cebus xanthosternos) e o Muriqui (Brachyteles hypoxanthus) estão entre as 25 espécies e subespécies de primatas mais ameaçadas no mundo, segundo relatório feito por 50 pesquisadores e divulgado nesta quinta-feira (7) pela IUCN – União pela Conservação Mundial.

O estudo alerta que, se o desmatamento e a degradação dos hábitats persistirem como hoje, em menos de um século terão desaparecido os lêmures, os chimpanzés e os gorilas. Segundo os pesquisadores, um quarto das 625 espécies e subespécies de primatas está sob grave risco de extinção em todos os continentes.

Na América do Sul, além dos macacos e micos brasileiros, o Macaco-aranha marrom (Ateles hybridus brunneus), da Colômbia, também está na lista das 25 espécies e subespécies mais ameaçadas, totalizando quatro na lista. Na Ásia são dez, no continente africano são sete e em Madagáscar (ilha ao sul da África) são quatro.

Isso mostra que “a ameaça para os macacos, lêmures e grandes primatas existe em qualquer parte onde vivam”, afirma o estudo, que tem como título Primatas em perigo – Os 25 primatas mais ameaçados do mundo – 2004-2006 e foi divulgado em Antananarivo (Madagáscar).

A pressão sobre estes animais ocorre em vários pontos. De um lado, o desmatamento para extração de madeira e para atividades agrícolas reduz suas áreas de subsistência, enquanto a caça – para consumo da carne e para comércio – afeta diretamente as populações remanescentes.

Muitos dos animais também são transformados em bichos de estimação ou abatidos para fornecer ingredientes à medicina tradicional ou à culinária exótica em alguns países, como na China, diz o relatório.

“Os caçadores matam os primatas para se alimentar ou vender sua carne, os comerciantes os capturam para vendê-los, enquanto os madeireiros e agricultores destoem seu hábitat”, escrevem os pesquisadores.

Eles citam o caso de espécies e subespécies no Vietnã e na China que contam hoje apenas com algumas dezenas de exemplares. No Sri Lanka, o Lóris-esbelto (Loris lydekkerianus nycticeboides) foi visto apenas quatro vezes desde 1937. (Estadão Online)