Novas tecnologias dão suporte ao ensino das ciências naturais no Brasil

A plenária “Informática aplicada à Ciência, Arte e Tecnologia” abordou cinco experiências realizadas no Município do Rio de Janeiro, em que a mídia eletrônica foi inserida de forma inovadora no cotidiano de profissionais de saúde, estudantes ou visitantes de museus.

Elomar Castilho Barilli, pesquisadora da Escola Nacional e Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, apresentou o software desenvolvido em conjunto com a COOPE/UFRJ para uso no curso à distância de vigilância alimentar. “Criamos o curso devido à necessidade de aperfeiçoar equipes que atuam em todo território nacional. A maioria não sabia como posicionar o paciente, calibrar a balança para pesagem, registrar dados ou interpretá-los. Estas deficiências interferiam nos resultados”, disse Elomar. O curso baseia-se no SISVAN (Sistema de Monitoramento Alimentar e Nutricional) e tem como objetivo alcançar funcionários da rede pública de saúde que têm menos acesso às tecnologias modernas. O programa de computador cria uma realidade virtual em que o usuário pode realizar um passeio no ambiente, interagir com os equipamentos utilizados, como balanças digitais, para medir e pesar crianças e adultos e registrar os dados obtidos em tabelas apropriadas.

Os recursos tecnológicos aplicados ao ensino das ciências foram apresentados por Diucênio Rangel, do laboratório de bioquímica médica da Fundação Oswaldo Cruz. Formado em Artes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, atualmente trabalha com o bioquímico Leopoldo De Meis na elaboração de vídeos educativos voltados, principalmente, para estudantes de medicina e biologia. “Nosso objetivo é mostrar que ciência não precisa ser algo frio. É possível torná-la uma experiência emocionante”, disse Diucênio. O vídeo sobre a mitocôndria – organela responsável pela respiração celular – está entre uma das criações que já é utilizada em salas de aula. Durante a plenária houve uma apresentação de 10 minutos do vídeo sobre contração muscular para os presentes. Segundo Diucênio, “unindo tecnologia, conhecimentos científicos e arte, a animação educa e transmite informações de forma lúdica”.

O diretor do Museu Nacional, Sérgio Azevedo, relatou como modernas tecnologias aliadas à paleontologia aumentaram o interesse do público. Ao ver esqueletos montados em grandes salões, muitos visitantes relatavam que não tinham conhecido os dinossauros, “apenas visto pilhas de ossos”, disse Sérgio acrescentando que “os museus naturais, com dinossauros expostos, estão em primeiro lugar na lista dos mais visitados. Não é difícil atrair o público. Mas, pesquisando a opinião dos visitantes, percebemos a necessidade de atender aos seus anseios. Era necessário criar algo mais próximo do real”. Hoje é possível, segundo ele, criar estruturas tridimensionais a partir de fragmentos de fósseis, ou criar réplicas de dinossauros com a técnica de modelagem intiulada clay, o que torna os dinossauros cada vez mais semelhantes aos animais que foram realmente. A tomografia computadorizada de exemplares fósseis permite a análise de estruturas internas, sem que haja a necessidade de serrá-las. A criação de animações tridimensionais permite inserir os dinossauros em filmes e documentários como animais muito próximos aos que existiram na terra.”A união entre ciência e arte permite criar uma atmosfera em que o público sente que estes animais existiram. É possível dar forma, acrescentar rugidos e recriar a maneira como eles andavam. Agora não os vemos mais como um amontoado de ossos”, concluiu Sérgio.

Genilton José Vieira, físico e chefe do Laboratório de Produção e Tratamento de Imagens da Fundação Oswaldo Cruz, apresentou o vídeo “O mundo macro e micro do mosquito Aedes aegypti : para combatê-lo é preciso conhecê-lo”. O filme mostra o ciclo deste mosquito – transmissor da dengue – em cenas reais e animações computadorizadas.

Finalizando a plenária, Luiz Vieira de Castro apresentou a metodologia utilizada para digitalizar e catalogar um acervo de 70.000 imagens do Departamento de Ultra-Estrutura e Biologia Celular da Fundação Oswaldo Cruz. Foram respeitados os cortes realizados nas células, assim como a ordem cronológica – no caso da demonstração de determinadas atividades celulares – e informações como a presença de patologias. Atualmente, o material está disponível no site da Fundação para auxiliar a consulta e o trabalho de jornalistas, professores, pesquisadores e estudantes, desde que seja respeitada a Lei de Direitos Autorais.(Agência Notisa – jornalismo científico)