Serla inicia dragagem de rios da bacia do Canal Cunha/RJ

A Serla – Superintendência Estadual de Rios e Lagoas, órgão gestor de Recursos Hídricos do Estado do Rio de Janeiro inicia, nesta sexta-feira (15) a dragagem do Canal do Cunha e seus principais afluentes, com recursos de R$ 2.150.000,00 provenientes de TAC – Termo de Ajuste de Conduta com a Refinaria de Manguinhos. O prazo para a conclusão das intervenções é de quatro meses. Serão retirados aproximadamente 90 mil m³ de material.

O Canal do Cunha será dragado entre a Avenida Brasil e a Avenida Leopoldo Bulhões, numa extensão de 1.050 metros. Serão dragados também o Rio Jacaré (850m); o Rio Faria (620m); o Canal de Benfica (150m) e o valão entre a Vila do João e aVila Pinheiros (1.700m). Serão utilizados duas Dragline tipo 38 B, uma escavadeira hidráulica FH 240 e 15 caminhões.

A Bacia do Canal do Cunha é uma das principais responsáveis pelo lançamento de grande volume de lixo e esgoto na Baía de Guanabara. Há problemas gravíssimos acumulados ao longo do tempo, como a poluição causada pelo antigo aterro sanitário do Caju, a proximidade de refinarias e a intensa ocupação de suas margens. No Rio de Janeiro, a área está incluída entre as que registram maior número de favelas.

O trabalho vai propiciar a drenagem dos bairros à montante do Canal do Cunha (Higienópolis, Jacaré, Maria da Graça, Benfica, entre outros) onde moram mais de 300 mil pessoas. Com isso serão reduzidos os problemas de inundação devido a fortes chuvas registrados na região.

Já está prevista a dragagem do Canal do Cunha em seu trecho final, entre a Avenida Brasil e o Canal do Fundão. Essa segunda fase da obra inclui a dragagem do Canal do Fundão. O projeto está em estudos na Serla e será enviado ao Fecam nos próximos dias. O custo estimado para essa segunda fase é de R$ 30 milhões, com a dragagem de 1,5 milhão de metros cúbicos.

Concluídas essas intervenções terá se avançado muito na proteção aos manguezais junto ao Fundão e a Avenida Brasil, e no aporte de sedimentos à Baía de Guanabara. Logo após o término da primeira fase da obra (quatro meses), será instalada uma ecobarreira na foz do Canal do Cunha, que desemboca no Canal do Fundão, próximo à Baía de Guanabara. As ecobarreiras são barreiras flutuantes feitas de material reciclável, estendidas de uma margem a outra da foz de rios. Elas impedem que o lixo flutuante chegue às baías ou lagoas.

Essa será a segunda ecobarreira impedindo a chegada de lixo flutuante à Baía de Guanabara. A primeira funciona desde meados do ano passado na foz do Rio Irajá. O projeto tem a participação da Fundação Getúlio Vargas. O material é recolhido pelos chamados Ecojovens (jovens recrutados em comunidades carentes), condicionados em grandes sacos plásticos, pesados em balanças, colocados em containeres existentes nos Ecopontos (ao lado das Ecobarreiras) e daí transportados para usinas de reciclagem. Parte do que é arrecadado com as vendas é revertido para os jovens trabalhadores. Há ainda os Ecobarcos que recolhem o que não é contido pelas telas. (Pelosi/Serla)