Macapá recebe exposição fotográfica sobre biodiversidade

O Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) e a Conservação Internacional (CI-Brasil) inauguraram, na quinta-feira passada, a exposição fotográfica “Viagem ao Mundo da Biodiversidade”, que fica até 20 de fevereiro de 2006, no Museu Sacaca.

A iniciativa traz à sociedade amapaense uma amostra dos locais com maior diversidade biológica do planeta. Além da Amazônia, que protagoniza a visita com o Corredor de Biodiversidade do Amapá, a exposição exibe imagens de pessoas, paisagens, flora e fauna do Alasca, Bolívia, Peru, Galápagos, Guatemala, Guiana, México, Botsuana, Madagascar, África do Sul, Indonésia e Papua Nova Guiné.

“A exposição tem dupla finalidade: educar e divertir. Ela visa mostrar a importância de cada espécie para a manutenção da vida na Terra. Ao mesmo tempo, é um espetáculo de imagens inusitadas, com destaque para aquelas recém registradas no Corredor de Biodiversidade do Amapá”, conta Antônio Farias, diretor presidente do IEPA. “Essa foi a maneira que encontramos para prestar contas ao público dos trabalhos de pesquisa, realizados nas unidades de conservação no Estado.” Imagens como a do sapo cururu
excretando veneno, do colorido lagarto Uracentron azureum, do morcego frugívoro Artibeus gnomus e até dos afloramentos rochosos no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque podem ser contempladas pelos visitantes.

Para garantir que o acervo seja bem explorado por estudantes e professores, os organizadores promoveram, nos dias 2 e 3 passados, oficinas de capacitação para monitores.

A exposição também apresenta os conceitos mais utilizados atualmente pelas políticas de conservação, como Hotspots, Grandes Regiões Naturais, Países de Megadiversidade e a importância das áreas protegidas para salvaguardar as riquezas naturais. Esses conceitos mostram que a biodiversidade não está igualmente distribuída pelo planeta. “Existem regiões que apresentam muito mais espécies únicas do que outras e, portanto, são as mais importantes para a conservação”, diz José Maria Cardoso da Silva, vice-presidente de Ciência da CI-Brasil. “Com esta iniciativa, queremos dialogar com o público local e mostrar como o Amapá está inserido em um contexto global, com suas oportunidades de conservação e exploração sustentável dos recursos naturais”, conclui.

Com 93% da vegetação original intacta, o Amapá é o estado mais conservado do país. Para garantir a harmonia entre o desenvolvimento e a proteção dos recursos naturais, o Governo Estadual criou, em 2003, o Corredor de Biodiversidade do Amapá. Esse Corredor é composto por 12 áreas protegidas federais e estaduais e quatro Terras Indígenas (Juminá, Galibi, Uaçá, Waiãpi), que congregam cerca de 4.500 índios.

Desde 2003, o Ibama-Amapá, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o IEPA, e a CI-Brasil se associaram para estudar a biodiversidade do Corredor. Uma equipe de oito pesquisadores foi estabelecida no IEPA para gerar dados sobre as espécies, paisagens e estado de conservação do local. Durante as seis primeiras expedições realizadas em três áreas protegidas – Floresta Nacional do Amapá, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque – foram encontradas
108 espécies de mamíferos, 303 de aves, 90 de répteis, 64 de anfíbios, 28 de crustáceos, 230 de peixes, e 156 gêneros e 75 famílias de plantas.
Essas informações são a matéria-prima para a construção dos planos de manejo, que orientam os usos mais adequados das unidades de conservação do Corredor. “Os exemplares coletados durante as expedições permanecem no Amapá, integrando a Coleção Fauna do Amapá e o Herbário Amapaense, ambos no IEPA”, informa Enrico Bernard, coordenador de projetos da CI-Brasil, que acompanhou e fotografou todas as expedições retratadas na Seção Amapá da exposição. “As informações geradas com esse trabalho fortalecem as instituições do Amapá e têm potencial para atrair mais investimentos em pesquisa e conservação para o Estado e para as populações locais.”

A exposição foi produzida pela CI-Brasil, em 2003, e já passou pelo Espaço Cultural Citibank, na avenida Paulista, em São Paulo; pelo Palácio das Artes, em Belo Horizonte; pelo Fórum Nacional de Educação Ambiental, em Goiânia; e pela sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis (RJ). Ao final do período de exibição, a CI-Brasil vai doar a Seção Amapá para o acervo do Museu Sacaca e pretende continuar levando o
resto da exposição para os quatro cantos do Brasil.

O Museu Sacaca fica na avenida Feliciano Coelho, 1509, Bairro do Trem, Macapá. A entrada é gratuita e o horário de visitação é de terça-feira a domingo, de 9h às 18h. Para agendar visitas monitoradas, ligue para (96) 212-5361 / 212-5362.
(Assessoria de Comunicação CI-Brasil)

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