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27 / 09 / 2005Ibama promove workshop de primatas amazônicos
O Ibama – através da sua Coordenação Geral de Fauna e do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros – está organizando o Workshop Primatas Amazônicos Ameaçados. O encontro ocorrerá em Manaus, entre os dias 28 a 30 deste mês, e visa acompanhar de forma mais efetiva a situação das espécies ameaçadas, bem como as ações desenvolvidas para conter o avanço do desmatamento.
O evento terá a participação de pesquisadores das Universidades Federal do Pará e da Amazônia, do Museu Paraense Emílio Goeldi, da Fundação Oswaldo Cruz, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, do Zoológico da Filadélfia (EUA), entre outras instituições.
O Workshop servirá também para o Ibama definir a composição e a estrutura do Comitê para Conservação e Manejo dos Primatas Amazônicos. Trata-se de um fórum permanente que pretende instituir para discussão e acompanhamento das ações de conservação das espécies, a exemplo dos comitês que já existem para os micos-leões e para os muriquis, espécies da Mata Atlântica ameaçadas de extinção.
Para o biólogo Marcelo Marcelino, Chefe do Centro Primatas, o workshop vai analisar a situação das espécies ameaçadas e avaliar as outras espécies amazônicas que podem vir a integrar a Lista Oficial da Fauna Ameaçada de Extinção. Os resultados do evento indicarão ao Ibama as principais diretrizes a serem adotadas, quais serão os planos de ação e como serão acompanhados pelos pesquisadores e demais interessados.
Consequências do desmatamento
O Brasil é o país com a maior diversidade de primatas do mundo. São 103 espécies e nada menos do que 70% delas estão na Amazônia. Na Lista Oficial da Fauna Ameaçada de Extinção, assim como na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), das 26 espécies de primatas brasileiros consideradas sob ameaça de extinção, 11 são espécies amazônicas. Embora a Amazônia não tenha sofrido ainda tanto quanto outros biomas brasileiros, como o Cerrado, a Caatinga e, principalmente, a Mata Atlântica, o desmatamento na região amazônica avança a passos largos. Somente entre os anos de 2003 e 2004 foram desmatados 26.130 km2, e para o período 2004 e 2005 a taxa de desmatamento pode ficar acima de 25.000 Km2.
Vários fatores têm contribuído para as taxas altíssimas de desmatamento, entre eles destacam-se o crescimento do rebanho bovino, a expansão da agricultura mecanizada, principalmente da soja e a grilagem de terras. As áreas críticas concentram-se no centro-norte do Mato Grosso e na região central de Rondônia avançando para o oeste do Pará e sudeste e sul do Estado do Amazonas, o que compõe o chamado arco do desmatamento. Nessa região, algumas espécies de primatas, como o cuxiú-preto, considerada uma espécie em perigo, já perderam mais de 30% de sua área de distribuição em pouco mais de três anos. Outra espécie, como o sauim-de-coleira ou sauim-de-duas-cores, cuja área de ocorrência natural coincide com o espaço urbano em crescimento da cidade Manaus, é considerada criticamente em perigo, em conseqüência da progressiva redução e isolamento de suas populações remanescentes.
São consideradas Espécies amazônicas ameaçadas: Guariba (Alouatta belzebul Ululata); Macaco caiarara (Cebus kaapori); Sauim-de-coleira (Saguinus bicolor); Coatá (Ateles marginatus); Coatá (Ateles belzebuth);
Cuxiú-preto (Chiropotes satanas); Uacari-branco (Cacajao calvus calvus); Uacari (Cacajao calvus novaesi); Uacari-vermelho (Cacajao calvus rubicundus); Cuxiú-cinza (Chiropotes utahickae); Macaco-de-cheiro (Saimiri vanzolinii).
(Fonte: Aldo Vasconcelos / Centro de Proteção de Primatas Brasileiros)
Na foto de Val Campos, o ateles marginatus