Salvar a camada de ozônio agrava o aquecimento global

Refresque sua casa, aqueça o planeta. Quando mais de vinte países deram início ao esforço de salvar a camada de ozônio, em 1989, eles começaram trocando os gases CFCs das geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e latas de spray. Mas não sabiam que usar outros gases, compostos de flúor ou cloro, iria contribuir para a aquecimento global.

Os CFCs destroem o ozônio, que forma uma camada na atmosfera que protege a Terra contra os raios ultravioleta do Sol, e também impedem o planeta de devolver o calor solar para o espaço, contribuindo para o efeito estufa. Em teoria, portando, o banimento dos CFC s deveria ter ajudado a resolver os dois problemas.

Mas os países que assinaram o protocolo de Montreal, há 17 anos, não percebera, que as indústrias que se valiam dos CFCs acabariam optando pela alternativa mais barata.

Os produtos químicos que substituíram os CFCs são menos danosos para o ozônio, mas não ajudam em nada contra o efeito estufa: eles também refletem o calor de volta para o solo.

Esse efeito contradiz a intenção de um segundo tratado, assinado em Kyoto, no Japão, em 1997. De fato, o volume de gases do efeito estufa criado pelos programas de substituição dos CFCs que tiveram origem no acordo de Montreal já é duas ou três vezes maior que o volume de CO2 que o Protocolo de Kyoto pretende eliminar.

A Suíça foi o primeiro país que tentou soar o alarme sobre os efeitos imprevistos do acordo de Montreal. O resultado? “Quase nada”, diz Blaise Horisberger, representante da Suíça no tratado de Montreal. “Temos levantado a questão. Mas é muito difícil”.

“Salvar a camada de ozônio reduzindo os CFCs e, ao mesmo tempo, promover alternativas era uma crise urgente nos primeiros anos do Protocolo de Montreal”, diz Marco Gonzalez, secretário-executivo do tratado. “Mas sempre há a necessidade de encontrar novas substâncias que sejam seguras, eficientes e tenham o menor impacto possível em uma série de questões ambientais”.

O Protocolo de Montreal, que agora já conta com 189 membros, é considerado um dos acordos ambientais mais bem-sucedidos. Mais de US$ 2,1 bilhões foram gastos para estimular países a parar de fabricar e usar CFCs e outros produtos que danificam a camada de ozônio.

Cientistas culpam os CFCs por abrir um enorme buraco na camada de ozônio sobre a Antártida. Mas alguns dos produtos usados para substituir esses gases, e cuja adoção aumentou por conta do Protocolo de Montreal, os HCFCs, e seus subprodutos, os HFCs, são poderosos gases do aquecimento global – até 10.000 vezes mais potentes que o dióxido de carbono.

A meta do acordo de Kyoto é reduzir as emissões de CO2 de usinas termoelétricas, veículos automotores e outras fontes que queimam combustíveis fósseis em cerca de 1 bilhão de toneladas até 2012. Mas o uso de HCFCs e HFCs deverá jogar na atmosfera o equivalente a 2 bilhões ou 3 bilhões de toneladas de CO2 até 2015, de acordo com relatório recente de especialistas da ONU.

O texto das Nações Unidas dizem que poderá ser evitada a emissão do equivalente a 1 bilhão de toneladas de CO2 se os países do mundo trocarem os HCFCs e HFCs por amônia, hidrocarbonetos, CO2 e outros produtos que não ferem o ozônio. Essas alternativas são mais comuns na Europa.
(Fonte: AP/Estadao.com.br)