Programa de incentivo às RPPNs comemora criação de reserva privada no MS

A porção da Bacia do Alto Paraguai (BAP) no estado de Mato Grosso do Sul tem a partir dessa semana uma nova área protegida em terras privadas. Na última segunda-feira, dia 21, foi decretada pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul (SEMA), a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN “Gavião de Penacho”. Com 77 hectares, a reserva localiza-se na Fazenda Araçatuba, no município de Corguinho/MS, e formará, em conjunto com reservas contíguas, a proteção das nascentes da Bacia do Rio Negro.

Com a criação desta reserva, o estado reúne 32 RPPNs reconhecidas, somando cerca de 118 mil hectares em unidades de conservação em terras privadas que asseguram a proteção de amostras dos biomas Cerrado e Pantanal. O reconhecimento da nova área protegida foi impulsionado com recursos e assessoramento técnico obtidos pela participação no 1º Edital do Programa de Incentivo às RPPNs do Pantanal, lançado no ano passado. Desenvolvido em parceria pela Conservação Internacional (CI-Brasil) e Associação de Proprietários de Reservas Privadas (REPAMS), o programa visa auxiliar proprietários rurais da Bacia do Alto Paraguai no reconhecimento e implementação de reservas particulares em suas propriedades. Outras seis RPPNs estão em processo de reconhecimento e dez, de implementação, com auxílio do Programa no estado.

Elessandra Rezende Garcia, proprietária da Fazenda Araçatuba, explica que foi incentivada pelo exemplo do vizinho, Lauro Roberto Barbosa de Souza, presidente da Repams e proprietário da RPPN Vale do Bugio. “Ele nos procurou e apresentou a idéia de RPPN, acabamos entendendo a importância da preservação da área porque o gado estava entrando para beber água, pisoteando as nascentes de água do córrego Bandeira onde já era possível ver os sinais de erosão”, avalia.

O gerente do Programa Pantanal da CI-Brasil, Sandro Menezes, observa que a ação das organizações busca o estímulo à criação de um conjunto de reservas contíguas na região. As duas reservas já reconhecidas na área, Gavião do Penacho e Vale do Bugio, somam uma área conjunta de quase 160 hectares e há perspectiva de ampliação com a adesão de novos proprietários rurais. “Se não conservarmos as nascentes, acabamos comprometendo o Pantanal”, lembra, observando que as duas reservas protegem ainda espécies como o gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus). Essa ave era abundante nas matas da região, e hoje está restrita a alguns pontos isolados, onde ainda existem remanescentes florestais.

Com o reconhecimento da reserva, a proprietária pretende dar continuidade às ações de benfeitorias na área para futuramente desenvolver atividades alternativas à criação de gado. “A intenção é construir, no futuro, uma trilha, para oferecer atividades de ecoturismo já que o local tem potencial para isso”, explica Elessandra, que aguarda o resultado do 2º edital do Programa em que encaminhou proposta para efetivar as melhorias na RPPN. Segundo a proprietária também está em negociação uma possível parceria com a Universidade Católica Dom Bosco para a realização de pesquisas na área.

O que é uma RPPN? Reserva Particular do Patrimônio Natural ou RPPN é uma categoria de área protegida prevista nas legislações Federal e do Estado de Mato Grosso do Sul, na qual a decisão de proteger recursos naturais e paisagens parte do proprietário, sem desapropriação. Criada em perpetuidade, sem restrição quanto ao tamanho, a RPPN pode abrigar atividades de pesquisa científica, turismo ou educação ambiental.
(Fonte: Assessoria de Comunicação CI-Brasil)