IBGE divulga mapa de aves ameaçadas de extinção

Um dia, a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) já deslumbrou moradores do Sul do País e do Mato Grosso do Sul. Assim como o maçarico-esquimó (Numenius borealis), encontrado em São Paulo, Amazonas e Mato Grosso. As duas aves, porém, hoje estão extintas na natureza e não podem ser encontradas sequer em cativeiro. Destino semelhante pode ser repetir com outras 157 espécies, listadas no mapa de aves em risco de desaparecer, divulgado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Considerando o ambiente que habitam, a situação é mais crítica na região da Mata Atlântica, hoje reduzida a 7,5% de sua cobertura original.

O mapa mostra que houve um aumento significativo de 46% no número de espécies em risco considerando a última lista, elaborada em 1989, pelo Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, e o último levantamento, concluído em 2003, e agora atualizado pelo IBGE. Além de mostrar a distribuição geográfica das espécies, a publicação localiza os biomas onde, originalmente, elas eram encontradas.

Responsável pela área de fauna do IBGE e autora do mapa, a bióloga Lícia Leone Couto atribuiu o agravamento da situação a problemas de comércio ilegal e desmatamento. Por isso, aves com plumagem exuberante, como as araras, são particularmente afetadas. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), por exemplo, antes encontrada na Bahia, no Maranhão, Pernambuco, Piauí e Tocantins, hoje está restrita aos cativeiros. Uma limitação que também acomete o mutum-de-Alagoas (Mitu mitu).

“Se olharmos o mapa, vamos ver que na região Norte a situação não é tão crítica quanto no litoral brasileiro, onde há muito desmatamento para dar lugar à especulação imobiliária”, observou, ressaltando a seriedade do problema na Mata Atlântica. No Estado de São Paulo, por exemplo, há 41 espécies ameaçadas de extinção, entre elas, a jacutinga (Pipile jacutinga), o tico-tico-do-campo (Coryphaspiza melanotis), o pica-pau-de-cara-amarela (Drycopus galeatus) e a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyancinthinus). No Rio, são 39.

Segundo Lícia, as aves estão em uma situação mais delicada do que grande parte da fauna brasileira. Considerando dados lançados em 2000 e mapas que serão divulgadas pelo IBGE até o fim do ano, o número de mamíferos em risco subiu 3%, passando de 67 para 69. Já os anfíbios apresentaram o maior crescimento proporcional: 1.500% – o total ameaçado foi de 1 para 16. Em seguida, vêm os répteis, com um aumento de 9 para 20 espécies, ou seja, um aumento de 122%. (Karine Rodrigues/ Estadão Online)