Brasil pode se aproximar da China no uso sustentável do bambu, afirma pesquisador

A criação do Centro de Pesquisa e Aplicação de Bambu e Fibras Naturais da UnB – Universidade de Brasília “é necessária para melhorar as condições tecnológicas do uso sustentável desse material”, afirmou nesta quarta-feira (13) o professor Jaime Gonçalves de Almeida. Ele é o coordenador do Seminário Nacional de Estrutura da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento do Bambu, promovido pela universidade.

Segundo o professor, várias instituições realizam pesquisas para o uso do bambu, mas de forma descentralizada, e o objetivo do novo centro da UnB é concentrar toda a cadeia produtiva, das pesquisas à fabricação de objetos com o material, a fim de construir um mercado brasileiro competitivo.

O bambu é uma planta facilmente encontrada nas florestas brasileiras. Cerca de 240 espécies estão espalhadas pelos estados, mas o Acre concentra a maior quantidade e variedade. A partir do bambu é possível produzir móveis, pisos, tecidos, papel, carvão, forros, vigas, entre outros – são mais de 1,2 mil aplicações diferentes. E o impacto ambiental é considerado baixo.

O professor disse acreditar que o trabalho de maneira concentrada pode levar o Brasil a se aproximar da China no trabalho com o bambu. O país asiático utiliza a planta integralmente, na produção de energia e até para fabricar tecidos, além do uso na produção da madeira ecológica (compensados, laminados) que substituem madeiras nobres.

“Temos condições de chegar perto da China, porque nossos pesquisadores são competentes e têm o apoio de instituições. O Brasil tem também condições climáticas para o cultivo extensivo do bambu”, destacou Almeida.

Uma rede de pesquisas deverá ser formalizada e implantada em dois anos, com apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia, acrescentou o professor.

Um dos participantes do seminário, Luciano Roberto Magno, dono de empresa que fabrica móveis e objetos de decoração em bambu, lembrou que a planta está sendo descoberta como matéria-prima. “O bambu é fácil de se trabalhar, pela elasticidade e grande durabilidade”, apontou, ao lembrar o aumento da procura e a boa aceitação pelos compradores. (Juliane Sacerdote/ Agência Brasil)