Bolívia confirma ter congelado expropriação de refinaria brasileira

O vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, informou, nesta quinta-feira (14), que o governo boliviano decidiu congelar a decisão de estatizar a cadeia produtiva de hidrocarboretos e assumir o monopólio da venda do gás produzido no país, medida que prejudicava os interesses da Petrobras.

“É uma decisão para favorecer, para criar um clima favorável às negociações e acordos no cumprimento estrito de nosso decreto de nacionalização”, acrescentou García Linera.

A decisão foi tomada em uma prolongada reunião entre o vice-presidente e mais cinco ministros de estado, entre eles Andrés Soliz, titular da pasta de hidrocarbonetos, que havia declarado previamente que não existiria “volta” na decisão boliviana.

“O decreto (publicado em maio deste ano) é a garantia de que estamos definindo espaços e terrenos muito mais frutíferos para garantir que a nacionalização e as negociações sejam cumpridas e tenham êxito”, destacou García Linera.

A empresa estatal YPFB – Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos assumiu, formalmente, desde 12 de setembro, o controle de toda a cadei produtiva de petróleo cru e GLP. A determinação boliviana afetaria, diretamente, a Petrobras. As negociações serão retomadas em 9 de outubro, quando o ministro de Minas e Energias Silas Rondeau vai a La Paz para negociar.

“Desejávamos que a maior empresa presente na Bolívia pudesse cumprir adequadamente a lei de nacionalização”, reforçou o vice-presidente boliviano. Bolívia negocia com as multinacionais novos contratos, feitos com base no decreto de nacionalização baixado por Evo Morales. (Estadão Online)