Estudo mostra chumbo em leite materno

A amamentação exclusiva é recomendada pela Organização Mundial de Saúde pelo menos para os primeiros seis meses de vida do bebê. Isso porque o leite materno, indiscutivelmente, é a melhor forma de se alimentar o recém-nascido. No entanto, infelizmente, em algumas situações em que o meio ambiente está contaminado, além de nutrientes e minerais essenciais para crescimento adequado da criança, o leite materno pode transportar metais pesados que podem ser tóxicos para o bebê.

Luiz Fernando Nascimento e equipe da Universidade de São Paulo (USP) publicaram os resultados de uma pesquisa em que detectaram chumbo no colostro (o primeiro leite que a mãe produz logo depois do parto) em mulheres de Taubaté, cidade do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo. De acordo com artigo destes pesquisadores publicado na edição de janeiro/ março de 2006 da “Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil”, “o chumbo é encontrado como poluente ambiental pela emissão industrial, principalmente por fábricas de baterias, incineradores e, também, por ingestão de alimentos contaminados. Mesmo em baixas concentrações pode comprometer o sistema nervoso, sangue e rins”.

O trabalho envolveu mães que deram à luz no Hospital Universitário de Taubaté entre outubro e novembro de 2003. As informações sobre os hábitos alimentares foram obtidas através de um questionário aplicado às mães, relativo aos últimos dois meses de gestação. Os resultados mostram que o chumbo foi detectado em 72 amostras de colostro, representando 94,7% das amostras. “Foram encontradas 29 amostras com valores até 50µg/L, 10 amostras contendo chumbo na quantidade entre 50 a 100µg/L, 15 amostras com valores entre 100 a 200µg/L, 10 entre 200 a 300µg/L e 12 amostras contendo chumbo acima de 300µg/L. Considerando uma ingestão de colostro, por um recém-nascido, de 600mL/d, pode-se estimar uma ingestão média diária ao redor de 90µg de chumbo. Para um recém-nascido com peso de 3kg, a ingestão seria de 30µg/kg.d. Esses valores estão acima do permitido, que é 3,6µg/d.”, afirmam os pesquisadores no estudo.

Eles alertam que a presença de chumbo no colostro poderia ser decorrente da poluição atmosférica ou da água, por indústrias, embora eles não tenha sido possível identificar as fontes de contaminação. De qualquer forma eles concluem que se a pesquisa mostrou a presença de chumbo no colostro humano e é necessária “a identificação de possíveis fontes ambientais contendo esse metal que, em contato com as mães, são responsáveis por altos teores no leite materno”.
(Fonte: Agência Notisa)