Aumentam as contribuições individuais no combate ao aquecimento global

Um relatório apresentado essa semana alerta para as conseqüências econômicas do aquecimento global. Segundo o documento preparado pelo economista britânico Nicholas Stern, ex-chefe Economista do Banco Mundial, as mudanças climáticas custarão mais do que duas guerras mundiais e a Grande Depressão combinadas.

A menos que os governos ao redor do mundo adotem medidas drásticas agora para barrar o aquecimento global, o fenômeno custará à economia mundial até $7 trilhões, podendo forçar a migração de até 200 milhões de pessoas devido a enchentes e secas, afirma o relatório. O economista sugere que 1% do produto interno global seja gasto imediatamente na mitigação das mudanças climáticas, para evitar maiores custos mais tarde. Não agir levaria a uma queda de 5 a 20% do produto interno bruto (PIB) global, e tornaria grandes porções da superfície terrestre inabitável.

O problema, que está em pauta há muitos anos, vem sendo mais discutido atualmente devido ao grande número de acontecimentos que indicam a real existência de aumento no aquecimento global. Uma das medidas adotadas por autoridades mundiais para lidar com o problema é o Protocolo de Kyoto – tratado internacional assinado por mais de 80 países que prevê a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e incentiva projetos de desenvolvimento sustentável.

Mas além de deixar a solução nas mãos de empresas e governos, muitos cidadãos estão preocupados em reduzir as suas próprias emissões de gases. A criação de mecanismos para calcular o quanto cada pessoa emite de carbono durante sua vida, é uma maneira de fazer com que cada individuo se sinta responsável pelos problemas ambientais no mundo e também se motive a colaborar com a redução da poluição.

Praticamente todas as atividades diárias deixam um rastro de carbono. Ou seja, ao preparar um café, fazer uma viagem ou comprar um produto no mercado as pessoas estão colaborando direta ou indiretamente para a emissão de gases causadores do aquecimento global.

A Pegada de carbono (ou Carbon Footprint) é exatamente essa medida de quanto uma pessoa ou uma organização emite de carbono nas suas atividades do dia-a-dia (essa medida é realizada por unidades de gás carbônico – CO2 – principal causador do efeito estufa).

Existem sites na internet como Safeclimate ou Stopglobalwarming que desenvolveram sistemas para calcular o quanto cada pessoa contribui para o aquecimento global. Com esse resultado em mãos, é mais fácil avaliar o impacto que o seu estilo de vida tem sobre o clima do planeta e realizar ações para eliminar essas emissões de carbono.

Quando se dirige um carro, por exemplo, a queima da gasolina produz dióxido de carbono. E, dependendo da eficiência do combustível utilizado no veículo e da quilometragem rodada, cada carro pode gerar mais ou menos dióxido de carbono ao final de um ano, contribuindo mais ou manos para o aquecimento global.

Em média, cada americano é responsável pela emissão de cerca de 22 toneladas de dióxido de carbono por ano, de acordo com as estatísticas da Nações Unidas, um número per capita muito maior do que em qualquer outra nação industrializada, onde a média de emissão é de 6 toneladas de dióxido de carbono por pessoa. Alias, os EUA é responsável por mais de 20% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa – e um dos poucos países que não ratificou o tratado de Kyoto.

Mas não é preciso abandonar o carro para diminuir a pegada de carbono. Dirigir um carro mais eficiente, ou dirigir menos, já ajuda. Também dá para compensar em outras áreas, agindo na preservação da natureza, plantando árvores ou protegendo as florestas – uma vez que as plantas são sumidouros de carbono.

Viagens de avião representam cerca de 3,5% da contribuição humana para o aquecimento global, informa o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Mas é possível eliminar essas emissões fazendo escolhas que inclusive economizam dinheiro, como usar menos o aquecedor ou o aparelho de ar condicionado em casa e no trabalho, reduzir o tempo e a temperatura do banho, etc.

Especialistas afirmam que uma das primeiras coisas a fazer para reduzir a pegada de carbono é ficar esperto em relação à eficiência energética. “Eficiência é o meio menos caro de cortar as suas emissões de carbono”, diz o diretor do programa climático de Natural Resources Defense Council, John Steelman.

A produção de eletricidade – derivada da queima de combustíveis fósseis, como o carvão – é uma das maiores fontes de emissões de carbono. De acordo com dados da Union of Concerned Scientists, nos EUA, 70% de toda a eletricidade gerada é resultado da queima de combustíveis fósseis. Por isso, economizar no uso da energia elétrica é tão importante para colaborar com o planeta.

Compras locais – Praticamente tudo o que se compra possui um custo de carbono associado, que são taxas como de transporte e da quantidade de eletricidade utilizada para industrializar e empacotar o produto. Até mesmo alimentos naturais, como frutas e verduras, têm impacto de carbono, pois costumam ser transportados por longas distâncias até o local de comercialização. Uma solução seria optar por produtos da estação e que são produzidos na região.

O que ainda não se sabe ao certo é se essas ações individuais realmente terão algum impacto na redução do aquecimento global. Alguns acreditam que o sacrifício pode valer a pena, mas outros não são tão otimistas. O que não podemos é esperar para ver. (Sabrina Domingos/ CarbonoBrasil)

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