Senador americano segue passos de Al Gore e planeja lançar livro ambiental

Durante uma entrevista recente a CNN, o senador americano e possível candidato a presidência nas eleições de 2008, John Kerry, revelou que ele e a mulher, Teresa Heinz Kerry, estão escrevendo um livro sobre o meio ambiente.

Mas será que a decisão foi tomada para alavancar sua carreira depois de observar o sucesso de Al Gore a frente do livro e filme “Uma verdade incoveniente” ou o político está realmente preocupado em chamar a atenção do público para assuntos importantes que devem ser encarados pela humanidade?

Seja lá qual for o real objetivo do democrata Kerry, a notícia indica que o assunto “ambiente” está bem gravado na mente dos americanos, que parecem levar isso em consideração na hora de votar. A vitória democrata nas últimas eleições dos Estados Unidos levantou a questão, já que o partido é conhecido pelo seu lado verde.

Mesmo que Kerry decida não concorrer às eleições, a expectativa é de que seu livro seja visto como um esforço genuíno de um homem de estado preocupado em chamar a atenção do publico para alguns assuntos importantes que são encarados pela humanidade, e não apenas como algo para abrilhantar sua carreira política.

“É um livro que estamos ansiosos para publicar em alguns meses. Nós lidamos, claro, com o assunto das mudanças climáticas, mas também com muitos outros assuntos. E nós precisamos mudar a atitude do congresso americano”, afirmou Kerry.

Ter um senador americano ou qualquer outro representante do governo eleito nos EUA, faz do meio ambiente uma prioridade na direção certa. Entretanto, alguns já acusam Kerry de mostrar pouca imaginação tentando re-energizar suas vacilante prospecções políticas duplicando o sucesso de Al Gore.

Kerry ainda não confirmou sua candidatura à presidência em 2008 e diz que o só irá responder a questão no segundo semestre do ano que vem, período de lançamento do livro. Ao decorrer da sua longa carreira política, o senador tem sido um líder ativo em na área ambiental, resistindo a tentações da administração Bush de enfraquecer as leis Ar Limpo, Água Limpa e Espécies Ameaçadas. Também advoga por um maior envolvimento dos EUA em assuntos como preservação de florestas tropicais, reversão da depredação da camada de ozônio e redução dos gases do efeito estufa.

Congresso renovado, velhas questões ambientais – Os democratas tomaram o controle do congresso americano, fornecendo um forte contrabalanço a muitos assuntos importantes para o Presidente Bush. Muitos estados passaram pela mesma experiência e um grande número de governadores foram substituídos.

Ambientalistas de todo mundo concordam que a maioria democratas no Congresso não muda a oposição do presidente Bush a impor limites de emissões de gases do efeito estufa, como participar de Kyoto.

A transferência de poder político em Washington aliada a mudanças de pensamento quanto ao ambiente, no entanto, pode liderar o emprego de políticas ambientais que reduzam as mudanças climáticas e a produção americana de gases do efeito estufa, que hoje representa 25% do total mundial.

Em discurso neste ano, o presidente prometeu que acabaria com o vício americano em petróleo, mas muitos ambientalistas e observadores políticos concordam que ele não fez muito para seguir esta promessa.

Pouco foi feito para dar continuidade às pesquisas em energia renovável assim como à produção. Os novos padrões de economia de combustível foram considerados fracos para se tornarem efetivos e o governo deu continuidade aos incentivos fiscais e subsídios oferecidos a empresas de petróleo e gás.

O preço do combustível deveria ser determinado pelo mercado, porém muitos acreditam que o registro de lucros das empresas combinado ao preço da gasolina apontam um cartel. Democratas no congresso provavelmente ficarão de olho na legislação que protege o consumidor e em nas companhias que fazem seus negócios.

Os Estados Unidos contam com apenas 3% do total de reservas de petróleo do mundo, e como a senadora democrata Maria Cantwell disse em maio, “não podem trilhar para um caminho de independência energética”.

O Congresso democrata espera investir mais em energias renováveis através de fundos e incentivos fiscais para empresas que invistam nesta área. O país tem enorme potencial inexplorado para diversas fontes, como solar, eólica, marítima e expansão do uso de biomassa e hidrelétricas. (Paula Scheidt/ Carbonobrasil)