Operação Fogo Cerrado combate crimes ambientais no oeste baiano

Durante 15 dias uma equipe do Ibama formada por agentes dos Estados da Bahia, Goiás e Minas Gerais percorreu em média 16 000 km e voou mais de 60 horas na maior operação de fiscalização ambiental já realizada no extremo oeste da Bahia. A operação batizada de “Fogo Cerrado” foi coordenada pela Sub-divisão de fiscalização da Superintendência Estadual da Bahia e envolveu 24 agentes de fiscalização, oito veículos, um caminhão e um helicóptero.

A operação contabilizou 68 notificações, 39 autos de infração, apreensão de quatro caminhões e seis motosserras, embargo de mais de 6 mil ha de cerrado em vias de desmatamento e aplicação de mais de 40 milhões de reais em multas. Os resultados foram apresentados num encontro realizado no auditório do CEAMA – Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Meio Ambiente do Ministério Público da Bahia no dia 19 de dezembro, que envolveu entre outros os Ministérios Públicos Federal, Estadual e do Trabalho além de outras instituições voltadas para a defesa do meio ambiente. Na ocasião alem da apresentação destes resultados foi exibido filme feito durante a operação seguido de um debate sobre as alternativas de proteção para o cerrado baiano.

A partir de uma base operacional montada na cidade de Posse em Goiás foram fiscalizadas 78 grandes propriedades localizadas nos entornos do Refúgio da Vida Silvestre Veredas do Oeste e Parque Nacional Grande Sertão Veredas. Essas unidades de conservação são as únicas a proteger o bioma cerrado no Estado da Bahia e estão fortemente pressionadas pelo avanço do agronegócio, representado principalmente pela soja, algodão e milho. A região, caracterizada por um vazio demográfico e grandes latifúndios abriga importantes nascentes de grandes tributários do Rio São Francisco.

Entrecortado por veredas extensas o cerradocerrado é a vegetação característica da região que passou a ser ocupada pelo agronegócio a partir de meados da década de 80. A Operação “Fogo Cerrado” utilizou uma metodologia nova na fiscalização do Estado da Bahia ao empregar imagens de satélites nas quais as áreas desmatadas recentemente são identificadas e georeferenciadas, permitindo sua localização por terra a partir da navegação por instrumentos de GPS e mapas. Para áreas muito distantes e de difícil acesso as equipes utilizaram um helicóptero com capacidade para seis pessoas que durante os 15 dias realizou dois vôos diários de reconhecimento e assalto. (Ibama)