Lei da Mata Atlântica não pode ser das que “não pegam”, pede ambientalista

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou, nesta sexta-feira (22), na solenidade de sanção da Lei da Mata Atlântica, que a novidade significa uma vitória para a sociedade brasileira. “A lei viabiliza meios para a conservação, a recuperação e o manejo sustentável no país. A Mata Atlântica, que beneficia cerca de 120 milhões de brasileiros, agora tem uma ferramenta que possibilita a compensação ambiental de forma permanente”, declarou, durante a cerimônia de sanção, no Palácio do Planalto.

Para o diretor de Mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, o maior mérito da lei está em mostrar que preservar o que restou da floresta não significa comprometer o desenvolvimento. “Em vez de impedir o progresso, o respeito ao meio ambiente significa ganho não só para a sociedade, mas principalmente para a natureza”, acredita o ambientalista. “A nova lei cria um ciclo virtuoso, que não é o da degradação.”

Mantovani ressalta que o longo tempo para a aprovação do texto, cujo projeto foi mandado para o Congresso em 1992, serviu para que toda a sociedade chegasse a um consenso. “Aos poucos, a lei foi sendo ajustada com a participação dos mais diversos segmentos, como a bancada ruralista e o setor hoteleiro”, avaliou. Na opinião dele, a experiência obtida nos 14 anos será importante para que as futuras leis que regulamentem a preservação de outros ecossistemas, como o cerrado, saiam do papel mais rapidamente.

O ambientalista afirmou que o desafio agora consiste em divulgar a lei para a sociedade ter conhecimento dos mecanismos de preservação do bioma. “Essa lei não pode ser mais uma daquelas que não pegam”, ressaltou. Segundo a última edição do Atlas dos Remanescentes Florestais, divulgada no último dia 12 pela SOS Mata Atlântica e o Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a mata atlântica está reduzida a 6,98% da cobertura original. (Wellton Máximo/ Agência Brasil)