Curso superior de Agroecologia para indígenas do MS começa em 2007

Depois de intensa articulação institucional, começam no primeiro trimestre de 2007 as aulas do curso universitário de agroecologia para as comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul. Idealizado pelas próprias comunidades, o projeto está sendo estruturado pelos governos federal e estadual, em parceria com a UCDB – Universidade Católica Dom Bosco. No seu primeiro ano, o curso atenderá 40 indígenas das tribos Terena e Kadiwéu. E para 2008, está prevista a participação de povos guarani.

As aulas visam a formação de profissionais indígenas para a gestão socioambiental nas aldeias da Bacia do Alto Paraguai no Mato Grosso do Sul, utilizando conceitos da antropologia, agroecologia e do etnodesenvolvimento, de acordo com os saberes tradicionais. Para sua implementação, o Ministério do Meio Ambiente firmou parcerias com os Ministérios da Educação, da Justiça, do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, além do Idaterra – Instituto de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul, da Funai – Fundação Nacional do Índio e do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Populações Indígenas da UCDB.

O curso terá duração de três anos e meio. As aulas serão ministradas em regime de alternância, associando teoria e prática, a partir das experiências cotidianas dos estudantes em suas aldeias. A ministra Marina Silva destaca a importância do projeto para as comunidades. “Nossa expectativa é de que o curso possa promover ações estruturantes de reinclusão das comunidades indígenas na sua própria cultura”, disse.

Os recursos para a realização do curso são de R$ 3 milhões. Parte da verba será investida no custeio pedagógico e na logística do projeto, que prevê que os indígenas passem 15 dias por mês na universidade e outros 15 na aldeia acompanhados de professores. Dessa forma, eles não deverão se desarticular das comunidades e poderão manter e resgatar conhecimentos tradicionais de seus povos, valorizando sua cultura, suas práticas econômicas e seus laços sociais.

O estado do Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população indígena do País, formada principalmente pelos povos Kaiowá, Guarani, Terena, Kadiwéu, Guató e Ofaiér. A maior parte dessa população vive confinada em terras superpovoadas, comprometendo seus recursos naturais e a qualidade de vida. As atividades econômicas implantadas nos últimos anos vêm desarticulando as formas tradicionais de produção, além de não suprir as necessidades básicas das aldeias e facilitar a perda de seus territórios. A idéia do curso é construir novas alternativas de sustentabilidade e ser referencial para uma política pública de formação superior indígena. (Aida Feitosa/ MMA)