Projeto identifica 775 plantas brasileiras com uso comercial

Durante dois anos, agrônomos e biólogos reunidos pelo MMA – Ministério do Meio Ambiente se transformaram em “garimpeiros vegetais”. Percorreram o País em busca de plantas que pudessem se transformar em bons negócios, com potencial para seguir o caminho do açaí ou do cupuaçu. Nesta busca, as equipes conseguiram reunir 775 espécies nativas, chamadas pelo projeto de “plantas do futuro”.

Entre elas, uma que já é amplamente usada na Nova Zelândia, mas pouco conhecida no Brasil, é a goiaba serrana. “Naquele país, ela já é usada em biscoitos, geléias, óleo e até espumante”, diz o coordenador da área de recursos genéticos da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, Lídio Coradim. “Mas aqui, ela é praticamente desconhecida.”

O projeto quer justamente evitar esse tipo de inversão. “Estamos perdendo ótimas oportunidades de negócio, mantemos a velha tradição de achar que só os frutos importados são os melhores, os exóticos”, avalia Coradim.

Para integrar a lista agora concluída, “garimpeiros” observavam alguns critérios: as espécies tinham de ser conhecidas localmente por alguma qualidade especial: um gosto diferente, o uso popular como remédio, beleza ou simplesmente eficiência para produção de mel ou para uso como corante. E o mais importante: não poderiam apresentar nenhuma dificuldade para investimento imediato.

As plantas do futuro estão dividas em 12 grupos. O maior deles é o de plantas ornamentais, com 148 espécies. Outras 70 estão no grupo de espécies alimentícias e frutíferas e 99 apresentam potencial medicinal. Há ainda 9 indicadas para a fabricação de aromas e 31, de óleos.

Negócios e conservação – O trabalho será apresentado nos próximos meses para empresários, em reuniões regionais. Cinco publicações – uma para cada região do País – também serão lançadas. Nelas, haverá informações detalhadas sobre as plantas e seu potencial de uso. “Ambientalistas sempre cobraram de empresários o investimento e uso de plantas nativas. Mas, como resposta, sempre se ouvia que não havia conhecimento suficiente”, diz Coradim. Diante da reação, o MMA decidiu fazer o levantamento, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério da Agricultura. Foram investidos R$ 1,5 milhão no projeto.

A participação do MMA é justificada por Coradim. “Mostrar a importância das espécies nativas é uma ótima forma de incentivarmos a conservação da biodiversidade. Seja em unidades de conservação, seja em outras áreas.” Ele avalia, ainda, que o País deixa de ganhar milhões de dólares a cada ano sem o uso sustentável dessas espécies. “Temos sabores e aromas característicos, texturas que são só nossas. Por meio do uso sustentável podemos usufruir de tudo isso”, afirma. (Lígia Formenti/ Estadão Online)