Gripe aviária continua sendo ameaça, diz OMS

O fato de a gripe aviária ter voltado a contaminar seres humanos, do Egito à China, mostra que a doença ainda pode provocar uma pandemia, afirmou na sexta-feira, 12, uma autoridade da OMS – Organização Mundial da Saúde.

Keiji Fukuda, coordenador para o programa mundial de gripe junto à entidade, afirma que continua a haver chances de o vírus adquirir, por meio de mutações, a capacidade de disseminar-se facilmente pela população mundial, advertiu o especialista americano, chamando atenção para o perigo de os meses de relativa calmaria levarem as pessoas a baixarem a guarda.

“Parece que esse fenômeno possui um padrão sazonal, tornando-se mais intenso nos meses de inverno no hemisfério norte. Acho que estamos vendo isso, neste momento”, afirmou Fukuda, à Reuters, em uma entrevista.

“Continuamos preocupados com o vírus e com sua capacidade de evoluir constantemente, o que poderia torná-lo mais transmissível para as pessoas. Não que os novos casos tenham aumentado nossa preocupação. Sempre estivemos preocupados”, acrescentou.

Nas últimas semanas, a China, a Indonésia e o Egito relataram novos casos da doença junto à OMS, que desde 2003 já registrou 264 pessoas contaminadas pelo H5N1, com 158 mortes.

As autoridades indonésias disseram na sexta-feira que uma mulher de 37 anos, vinda da parte ocidental de Java, havia morrido devido à doença e que quatro pessoas – entre as quais o marido e o filho dela – apresentavam os sintomas da doença.

No final de dezembro, no Egito, três membros de uma mesma família morreram em virtude da gripe aviária depois de terem matado vários patos doentes. Somando esses casos, o país registrou, em 2006, dez mortes provocadas pelo mal.

Nenhum outro caso foi descoberto na África, para onde migram muitas aves e onde os sistemas de vigilância sanitária são considerados os mais frágeis do mundo. Os primeiros sintomas da doença, entre os quais a febre, parecem-se com os de outros males comuns no continente, como a dengue e a febre tifóide.

“Mesmo que, recentemente, não tenhamos registrado a presença do H5N1 na África, o maior erro que poderíamos cometer seria acreditar que o vírus simplesmente desapareceu dessa região. Esse vírus nunca deixa de dar mostras sobre o quão resistente é”, disse Fukuda. (Reuters/ Estadão Online)