Novo garimpo no Amazonas pode trazer prejuízo

Pelo menos 80% dos cerca de 4 mil garimpeiros que foram em busca do “Eldorado do Juma”, um garimpo de ouro no sul do Amazonas, em Apuí, a 453 quilômetros de Manaus (AM), estão a caminho do prejuízo. A avaliação foi feita durante a semana passada entre as lideranças do novo garimpo e de técnicos da SDS – Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral.

“O que os técnicos verificaram agora era meu temor desde quando esse garimpo começou há mais de um mês: de aparecer malária por causa do desmatamento, prostituição, alcoolismo e, de herança, um fluxo migratório de desempregados que não vão ter como pagar passagem para voltar para suas cidades”, destacou o prefeito de Apuí, Antonio Roque Longo. “Não tinha tanto ouro como achavam que tinha. Tiraram no máximo uns 150 quilos, não deve ter muito mais que o dobro disso”.

O DNPM, órgão que regulamenta a produção mineral no País, expediu na último sexta-feira uma portaria para bloquear a área da cabeceira do rio Juma para tentar impedir novos requerimentos de levantamento geológico do local e cancelando a tramitação de qualquer outra solicitação até que os estudos geológicos de viabilidade de uma reserva garimpeira sejam concluídos.

A portaria não tem como impedir a continuidade da exploração do garimpo das cinco grotas abertas em uma área de cerca de 40 hectares, segundo a SDS, mas tem a intenção de inibir a chegada de mais pessoas ao local. “Há policiais militares e federais por lá, mas não tem como tocar o pessoal de lá, vão tentar impedir os novatos”, constatou Longo.

Segundo a assessoria da SDS, em reunião com garimpeiros, um dos líderes, Genézio Souza Costa, de 38 anos, garimpeiro há 23 anos, que veio de Ariquemes (RO) para Apuí há 20 dias, contou que até agora só obteve dívidas com o comércio formado no entorno do garimpo e já pensa em voltar. “O terreno aqui já está todo dividido, não tem local para tirar ouro. Até agora não paguei os R$ 600 que gastei para chegar aqui”, disse.

Os gastos diários são grandes: desde o transporte em Apuí, compra de ferramentas, de material para acampamento até alugar voadeiras, que custam cerca de R$ 150 a hora, para chegar até o rio Juma. “Não se gasta menos de R$ 500 só para se instalar. Eu estou indo embora, me arrependi de vir para cá”, disse João Cruz da Silva Brito, de 41 anos, que também veio de Rondônia, segundo a assessoria da SDS. João teve malária e não conseguiu mais que 40 gramas de ouro.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, Virgílio Viana, uma cooperativa já formada de garimpeiros deverá ajudar no controle no número de ingressantes. “Precisamos garantir entre outras regras a segurança no garimpo e limitar esta área só para os que já estão lá, pois tem muita informação errada sobre a quantidade de ouro e isso está fazendo a cidade de Apuí e o garimpo encher de gente de todo canto”, disse à SDS o líder da cooperativa de extratores minerais do Rio Madeira, Geraldo da Costa, que está em Apuí para fazer uma parceria com os garimpeiros.

“Eles vão levar pelo menos oito meses para legalizar a cooperativa deles, enquanto nós de Manicoré temos dois anos de existência e podemos solicitar a licença de operação nesta área aqui se a parceria for firmada”, explicou.

De acordo com a assessoria da SDS, o diretor de fiscalização do DNPM, Walter Lins Arco Verde, Diretor de Fiscalização do DNPM, mais quatro técnicos, engenheiros e geólogos, continuam na área do garimpo para realizar o estudo da geologia da área e do volume de minério existente no depósito do terreno para oficializar a reserva garimpeira.

No fim de semana, um avião do governo do Amazonas levou a Apuí medicamentos para doenças como malária, hepatite e diarréia, além de hipoclorito de sódio para tratamento de água no garimpo. (Liège Albuquerque/ Estadão Online)