Arqueólogos acham sinais de batalha de 5 mil anos na Síria

Nas ruínas de Hamoukar, uma antiga cidade do nordeste da Síria, a pouco quilômetros da fronteira do Iraque, arqueólogos encontraram doze mísseis de barro, alinhados há milênios e prontos para ser disparados de fundas, numa tentativa desesperada de deter a horda invasora.

A cidade, considerada uma das primeiras do mundo, localiza-se no norte da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, e é o local de escavações conduzidas conjuntamente pela Universidade de Chicago e pelo Departamento de Antiguidades da Síria.

A exploração ocorre desde 1999, mas em meses recentes os pesquisadores encontraram novas evidências do destino final da cidade e sobre como a urbanização do local teve início. O sítio fica tão perto do Iraque que os arqueólogos narram ter visto explosões do outro lado da fronteira. “É como trabalhar no olho do furacão”, diz um dos diretores da escavação, o americano Clemens Reichel, notando que o local das escavações é excepcionalmente pacífico.

A situação em Hamoukar, no entanto, não era nada pacífica em 3.500 a.C., quando a independência da cidade acabou numa batalha que levou os prédios e muralhas locais a ruir.

Recentemente, os arqueólogos encontraram uma bacia de água usada, normalmente, para amolecer lacres de barro, para reutilização. Esses lacres eram usados em sacolas e jarros, para impedir que o conteúdo fosse roubado ou alterado. Junto á bacia, no entanto, havia 12 das “balas de funda”, mísseis ovais feitos de barro e que eram disparados por fundas. Reichel supõe que um trabalhador especializado em lacres de barro estava tentando contribuir com o esforço de guerra, convertendo sua matéria-prima em armas.

“Imagine o desespero dessas pessoas. Estavam jogando tudo o que tinham nos agressores”, disse ele.

Em outro trecho do sítio, arqueólogos acreditam ter encontrado pistas sobre a urbanização de Hamoukar: uma área coberta por pedaços de obsidiana, uma rocha usada na produção de ferramentas e armas. Segundo o diretor sírio da expedição, Salam al-Kuntar, há sinais de que as ferramentas eram feitas ali.

Segundo Reichel, a descoberta pode ajudar a explicar o desenvolvimento da civilização em diferentes partes do Crescente Fértil. Acredita-se que a sociedade urbana do sul surgiu em resposta à necessidade de organizar o trabalho para apoiar a agricultura, baseada em irrigação. As descobertas em Hamoukar – que estava numa importante rota comercial da época – sugere que, ali, a civilização pode ter surgido para aproveitar o mercado de bens manufaturados, como armas de obsidiana. (AP/ Estadão Online)