Biocombustível deve aproximar Brasil e Estados Unidos

O novo embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Antônio Aguiar Patriota, que assume o cargo em março, disse nesta quinta-feira (17) que o comércio de biocombustíveis deve se tornar um importante fator de aproximação entre os dois Países. “O presidente George W. Bush deve realizar um discurso, na semana que vem, em que deve reservar um espaço considerável à questão da energia e do biocombustível, o que é muito bom para a relação bilateral entre os Países. O etanol é um tema estratégico para cada País e para o relacionamento bilateral”, destacou, acrescentando que o tema biocombustível “é um assunto mais da atualidade para os Estados Unidos do que a Alca”.

Patriota se reuniu com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, e apresentou as diretrizes de sua atuação em Washington frente aos interesses brasileiros nos Estados Unidos. “Estamos organizando uma série de iniciativas bastante amplas, através de duas missões comerciais aos Estados Unidos, previstas para março e setembro, para tentar desenvolver ainda mais os negócios e criar maiores facilidades de comércio entre os países.”

Segundo ele, a ampliação da participação de empresários brasileiros em feiras e missões comerciais nos Estados Unidos é essencial para o aumento efetivo das relações comerciais e para a captação de investimentos. “Há uma grande convergência entre os dois países sobre assuntos fundamentais para a região e para o mundo”, explicou Patriota.

Giannetti disse que é preciso ampliar as missões comerciais e “intensificar” as relações comerciais entre os países, que teriam se tornado “dispersas” nos últimos anos. “2007 será o ano do Brasil nos Estados Unidos e pretendemos, dessa maneira, ampliar os negócios.” Giannetti afirmou que além das duas missões, a Fiesp pretende levar empresários brasileiros a pelo menos 15 feiras norte-americanas.

Ele não quis comentar sobre as expectativas de quanto poderia ser a ampliação dos negócios, mas destacou que elas “devem ser maiores do que nos últimos anos”. “Nós não podemos perder mais espaço no mercado norte-americano”, disse, ressaltando que o principal acordo a ser fechado entre os Países deve ser sobre bioenergia.

“O Brasil pode ser solução para a agricultura dos EUA, se não houver barreiras que impeçam a entrada, por exemplo, do milho brasileiro em seu mercado”, destacou, com relação a utilização cada vez mais intensa do milho como combustível nos Estados Unidos, o que está elevando a cotação do produto. (Rodrigo Petry/ Estadão Online)