Europa tem o janeiro mais quente da história

Muitos países europeus tiveram o janeiro mais quente já registrado, disseram meteorologistas na quarta-feira (31). Por causa disso, os narcisos holandeses floriram mais cedo, e a Hungria sofre com incêndios em pastagens.

A divulgação dos dados coincide com uma reunião de cientistas e técnicos em uma comissão climática da ONU em Paris, em que deve ser aprovado um relatório que atribui o aquecimento global em grande parte à ação humana dos últimos 50 anos.

Na Holanda, este janeiro foi o mais quente desde o início das medições, em 1706, disse o instituto local KNMI. A média do mês no país foi de 7,1º C, ou seja, 2,8º C acima da média histórica.

Nos campos a sudoeste de Amsterdã, perto do mar do Norte, os narcisos começaram a florir com mais de um mês de antecedência. Na Suíça, onde até a semana passada faltava neve em muitas estações de esqui, o instituto MeteoSwiss disse que este deve ser o janeiro mais quente já registrado nas cidades do país.

O mesmo fenômeno acontece na Hungria. A temperatura elevada, agravada pela falta de chuvas, provoca incêndios em pastagens no leste e sudeste do país.

Na Alemanha, o instituto DWD disse que este janeiro teve temperatura média de 4,6º C no país, cerca de cinco graus acima das médias habituais. Desta forma, este mês empata com o de 1975 como sendo o janeiro mais quente desde o início das estatísticas, em 1901.

Houve recordes para o mês também em grande parte da Áustria, segundo meteorologistas locais. Na Grã-Bretanha, o recorde não foi superado – este mês ainda foi mais frio que o janeiro de 1916.

“Normalmente, nesta época do ano, a temperatura máxima na Inglaterra central é de cerca de seis ou sete graus, e estamos na casa dos dois dígitos”, afirmou um porta-voz do instituto Met Office.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, 2006 foi o sexto ano mais quente desde o início dos registros. Todos os dez anos mais quentes ocorreram desde 1994 – o recorde foi 1998.

Mas alguns meteorologistas prevêem que 2007 será o ano mais quente da história, por causa do acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera e dos efeitos do fenômeno El Niño. (Reuters/ Estadão Online)