Temperatura na Terra aumentará 3°C, diz relatório

Um esboço do relatório da reunião Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), realizada em Paris, será apresentado nesta sexta-feira (02) e dirá que a temperatura da Terra aumentará 3ºC nos próximos anos na melhor das hipóteses, ou até 4,5ºC. Esse aumento dependerá da relação com os níveis da era pré-industrial, se a concentração do dióxido de carbono na atmosfera continuar crescendo.

A conclusão é que o aumento das temperaturas dependerá da “estabilização” da concentração de CO2 na atmosfera para 550 partes por milhão (ppm). Atualmente, a concentração de CO2 equivale a 380 ppm, contra 270 ppm registradas em 1750. Para os especialistas, as temperaturas mundiais aumentarão entre 1ºC e 6,3ºC no fim deste século, em comparação com o final do século XX.

O encontro terminará na sexta-feira com a publicação de um relatório que será a base científica para as negociações sobre o meio ambiente pós-Kyoto, destinado a reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), cuja primeira fase expira em 2012.

A questão central desta reunião em Paris é analisar a evolução do aquecimento da Terra, o impacto da mão do homem neste fenômeno, suas conseqüências e as formas de remediá-lo.

Secas e inundações – Segundo os especialistas, a mudança climática se traduzirá em grandes secas, inundações, ciclones e num aumento do nível do mar que provocará “milhões de refugiados ambientais” dentro de algumas décadas, o que provocará uma gravíssima crise humanitária. O aquecimento dos oceanos trará consigo a morte dos corais, hábitat de várias espécies marinhas, a diminuição da chuva que afetará os recursos de água potável e a elevação do nível do mar que fará desaparecer algumas ilhas e terras férteis.

No ano 2000, a Cruz Vermelha internacional já havia calculado que o número de refugiados climáticos era pelo menos equivalente ao de refugiados de guerras, ou seja, 25 milhões de pessoas. O número poderá dobrar até 2010 e chegar a 200 milhões de pessoas no fim do século XXI, acompanhado de uma aceleração do aquecimento climático, segundo especialistas.

Diante destas previsões desanimadoras, os especialistas pedirão à comunidade internacional amanhã que dê uma resposta forte e unida que implique uma continuação do Protocolo de Kyoto, que não foi ratificado pelos Estados Unidos, o país que é o maior contaminante mundial.

Segundo a ministra francesa da Ecologia, Nelly Olin, se os países não implantarem “uma política voluntarista e decidida” contra a mudança climática, “suas populações os empurrarão para fazê-lo”.

Na sexta-feira, o presidente francês, Jacques Chirac, na reta final de seu segundo mandato, presidirá uma conferência em Paris para fixar as bases de uma futura organização da ONU dedicada ao meio ambiente.

Os mais importantes candidatos à Presidência da França assinaram na quarta-feira um protocolo ecologista no qual se comprometeram a cumprir certos requisitos na questão ambiental para preservar o planeta.

Como sinal do compromisso francês, na quinta-feira (01) os habitantes da França refletiram durante cinco minutos sobre o aquecimento do planeta, com as luzes apagadas, inclusive na Torre Eiffel – monumento símbolo do País – no âmbito de uma campanha que visa a criar uma sensibilização sobre o consumo irracional da eletricidade. (AFP/ Terra)