CONSEMA instala comissão para estudar os efeitos do desmatamento da Amazônia na produção dos recursos hídricos de SP

A Comissão Especial de Recursos Hídricos e Saneamento do Consema – Conselho Estadual de Meio-ambiente de São Paulo vai estudar os possíveis efeitos que o desmatamento da Floresta Amazônica possa causar na produção de recursos hídricos de São Paulo.

O tema foi solicitado por Carlos Bocuhy, conselheiro do Consema e presidente do Proam – Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental – na reunião do dia 31 passado, na Secretaria Estadual de Meio Ambiente.

A proposta deverá avaliar a influência que os processos de perda florestal na região da Amazônia têm sobre a constante diminuição do potencial hídrico de toda a região Sudeste, especialmente em São Paulo. Segundo informações dos pesquisadores Philip Fearside e Pedro Silva Dias, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da USP (Universidade de São Paulo), respectivamente, “há fortes evidências científicas de que a Floresta Amazônica é a responsável por até 50% das chuvas que caem no Sudeste brasileiro”.

Este dado, somado ao resultado de um estudo do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) que aponta que em 100 anos a Amazônia ficará 8 graus Celsius mais quente, gera grande preocupação no setor ambiental. “Há uma preocupação muito grande quanto a esta questão, já que a produção de recursos hídricos de São Paulo é bastante modesta. Esse é um estudo extremamente necessário, considerando principalmente a possibilidade de interdependência da Amazônia para abastecer seus reservatórios”, afirma o presidente do Proam, Carlos Bocuhy.

Uma das perspectivas apontadas é o aprofundamento dos estudos do conceito de “Rios Voadores”. Trata-se de uma pesquisa para averiguar teorias de transposição de umidade de regiões para regiões através do rastreamento do caminho aéreo que a água percorre; neste caso, desde sua entrada na região da Amazônia até a chegada em São Paulo. “Só a partir de mais estudos e análises poderemos avaliar os impactos reais do desmatamento da Amazônia na região Sudeste”, pondera Bocuhy.
(Fonte: Ascom – Proam)