Sensores no fundo do mar controlarão oceanos

Cientistas marítimos anunciaram nesta segunda-feira (12) um ambicioso projeto de acompanhamento do movimento das espécies marinhas, que controlará as condições oceânicas por meio de uma vasta rede de sensores instalados no fundo do mar. O projeto se chama Rede Oceânica de Acompanhamento (OTN, na sigla em inglês), e é fruto da fusão de dois programas que, nos últimos anos, funcionaram de maneira experimental no litoral do Pacífico dos Estados Unidos e do Canadá, para o acompanhamento de diversas espécies marinhas, desde o salmão até grandes predadores.

No primeiro destes dois programas, o Pacific Ocean Shelf Tracking (Post, na sigla em inglês), transmissores instalados nos corpos dos peixes enviam informações a receptores acústicos instalados no fundo do oceano. O Post, que cobre uma extensão de 1.750 quilômetros, revelou as rotas que seguem os jovens salmões que nascem nos rios canadenses e americanos, e que viajam para o oceano Pacífico para viver sua vida adulta.

O segundo programa é o Tagging of Pacific Pelagics (Topp, na sigla em inglês), que marca eletronicamente grandes animais marítimos. No Topp, a informação dos transmissores é recolhida via satélite, quando os animais se aproximam da superfície, o que permitiu que os cientistas acompanhassem milhares de animais pertencentes a 21 espécies, inclusive baleias, atuns, elefantes marinhos, tartarugas e tubarões.

A Universidade de Dalhousie, em Halifax (Canadá), recebeu quase US$ 40 milhões do governo canadense, para expandir a rede para outras 14 regiões oceânicas, incluindo o Ártico, o Mediterrâneo e o Golfo do México. O doutor da Universidade de Dalhousie e diretor da OTN, Ron O’Dor, está na Cidade do Panamá para discutir o financiamento de uma linha de acompanhamento que vai do Caribe ao Golfo do México. Ele afirmou que, em março, se reunirá com membros da UE – União Européia para tratar da instalação de sensores no estreito de Gibraltar.

O objetivo final da OTN é instalar, em cinco anos, 5 mil receptores submarinos, e criar 60 linhas de acompanhamento em 14 regiões oceânicas, que controlarão até um milhão de animais que portam transmissores capazes de reunir informações sobre seus movimentos, seus dados biológicos e também sobre a temperatura e a salinidade dos mares. Os cientistas afirmaram que esta informação será de extremo valor no estudo da mudança climática e de seus efeitos sobre os oceanos, assim como sobre as espécies que os habitam.

“Com estas informações, os recursos pesqueiros poderão ser mais bem administrados, tanto do ponto de vista científico quanto do empresarial”, afirmou a OTN. O doutor David Welch, presidente da Kintama Research, uma das organizações privadas envolvidas na OTN, explicou que uma das virtudes da rede é estabelecer a arquitetura básica sobre a qual, nos próximos anos, poderão ser realizados diferentes tipos de pesquisas, hoje inimagináveis.

“Não será apenas a salinidade e a temperatura”, assinalou Welch.

“No futuro, os cientistas projetarão todo tipo de sensores para colocá-los nos animais e recolher todo tipo de informação”. As prioridades da OTN são expandir o chamado “Campo Atlântico”, composto por uma linha de sensores que vai do porto canadense de Halifax até o limite da plataforma continental, a cerca de 180 quilômetros do litoral, e levá-lo ao Golfo do México e ao Mediterrâneo.

Neste caso, serão instalados receptores da Flórida até Cuba, e ao longo do estreito de Gibraltar. A rede será particularmente importante para recolher informações sobre o atum de aleta azul e espécies de tartarugas em risco de extinção. Posteriormente, a OTN quer levar as linhas receptoras até o oceano Ártico, com a instalação de 140 quilômetros de sensores para captar o movimento da vida entre os oceanos Ártico e Atlântico. (Efe/ Terra)