Sistema de alerta contra seca economizará R$ 5 bilhões em medidas emergenciais

O governo colocará em operação, no final de 2007, o Sistema Brasileiro de Alerta Precoce de Seca e Desertificação. A decisão foi reafirmada na sexta-feira (9) em evento realizado em São José dos Campos (SP) pela equipe do Programa Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos de Seca, o PAN-Brasil, do MMA – Ministério do Meio Ambiente. No encontro, técnicos do MMA e do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais definiram o modelo do sistema. Inicialmente, ele será operado de forma “piloto”, em benefício de cerca de 20 municípios (a serem definidos) situados nos nove estados da região Nordeste e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.

O sistema-piloto custará pouco diante da economia que pode propiciar. Segundo o coordenador do PAN-Brasil, José Roberto de Lima, a criação e operação do instrumento sairá por cerca de R$ 2 milhões. Quantia baixa, considerando que, ao antever a ocorrência de seca e da desertificação, e tomar medidas preventivas, o governo deixará de gastar cerca de R$ 5 bilhões em medidas de emergência para enfrentar o problema quando ele já está instalado. Verbas empregadas em frentes de trabalho, socorros de carros-pipa, fornecimento de cestas básicas, entre outras providências corriqueiras durante a vigência desses períodos. Com a iniciativa, o Brasil se torna país pioneiro no mundo na adoção de medidas preventivas na área. “Estamos cumprindo um compromisso assumido com a ONU. Largamos na frente”, afirmou Lima.

O mecanismo de prevenção contará com o satélite combinado com outros recursos, como o mapeamento das correntes climáticas, a análise de séries históricas, inclusive de fenômenos como El Niño e Lá Niña. “Depois da fase de testes, ao longo dos dois anos subseqüentes, pretendemos estender os benefícios do sistema a todas as regiões do País onde se façam necessárias”, disse Lima.

Além de identificar com precisão futuros problemas de seca e desertificação, o mecanismo prevê que o governo atue com o objetivo de desenvolver políticas públicas integradas, em conjunto com a sociedade, para preparar a população contra aqueles sinistros, sejam eles naturais ou causados pelo homem. Providências como cadastrar famílias, aumentar a produção de alimentos e armazená-los, mobilizar estudantes nas escolas, instalar cisternas, levantar barragens, vacinar o gado – se adotadas antecipadamente, podem minimizar os danos e ajudar as comunidades a atravessarem aqueles períodos difíceis com maior conforto. É muito importante, segundo Lima, que a população se agregue a esse esforço do governo.

O documento prevendo a instalação do sistema foi referendado, entre outros, por representantes do Dnocs – Departamento Nacional de Obras contra as Secas, da Codevasf – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco, da ANA – Agência Nacional de Águas, do Ministério do Meio Ambiente, do Sinima – Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente, dos setores de Geoprocessamento, de Zoneamento Econômico e Ecológico. Recebeu apoio também da Funceme – Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, da Universidade de Campina Grande, da Universidade Rural de Pernambuco e do Inmet – Instituto de Meteorologia Nacional. (Rubens Júnior/ MMA)