Dez meses após anúncio, País é auto-suficiente em petróleo

Dez meses depois do anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ANP – Agência Nacional do Petróleo divulgou dados que apontam que o Brasil atingiu efetivamente a auto-suficiência na produção de petróleo já em 2006. O feito, porém, não resolveu de todo o problema da balança comercial do setor, que continua deficitária do ponto de vista financeiro.

O diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, acredita, no entanto, que tal situação tende a ser revertida nos próximos anos.

Segundo a ANP, o Brasil exportou 23,531 milhões de barris de petróleo e derivados a mais do que importou em 2006 (vendas de 239,8 milhões contra compras de 216,3 milhões de barris). A agência calcula que o Brasil tenha produzido uma média de 1,808 milhão de barris por dia, sendo que 30 mil barris diários foram extraídos por empresas privadas que chegaram ao País com o fim do monopólio estatal.

Na terça-feira, 13, a Petrobras já havia anunciado um superávit médio de 93 mil barris/dia em sua balança de petróleo e derivados durante o ano. As contas da Petrobras, no entanto, não consideram importações feitas por outras empresas, principalmente as centrais petroquímicas, que importam nafta.

Segundo o diretor da Petrobras, a estatal fechou o ano com um saldo comercial de petróleo e derivados em torno dos US$ 400 milhões. Considerando as importações de outras companhias, porém, o setor registrou um déficit de US$ 739 milhões, calcula a ANP.

A manutenção do déficit financeiro, mesmo com superávit em barris comercializados, pode ser explicada pela diferença de preços entre o petróleo e combustíveis produzidos no País e os produtos importados.

De acordo com a ANP, o Brasil importou petróleo a um preço médio de US$ 68,61 por barril em 2006, enquanto o petróleo nacional foi vendido a US$ 54,71 por barril, em média. A agência calcula que o Brasil tenha vendido US$ 13,306 bilhões e comprado US$ 14,045 em petróleo e derivados durante o ano.

O diretor da Petrobras avalia que o déficit comercial tende a desaparecer à medida em que novos empreendimentos em refino entrem em operação. O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em Itaboraí, e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, vão processar 250 mil barris de petróleo do campo de Marlim, hoje exportados.

A Refinaria Premium, com investimentos previstos em US$ 5,5 bilhões, vai refinar 500 mil barris de petróleo nacional a partir de 2014. Além disso, a companhia vem investindo em melhorias nas unidades já existentes, para que usem cada vez mais petróleo brasileiro.

“Estamos nos esforçando para processar mais petróleo nacional. agregar valor ao produto e melhorar o desempenho da companhia e da balança comercial do País”, afirmou Costa. Segundo ele, o Brasil deve se tornar auto-suficiente em óleo diesel a partir do início das operações da Refinaria Premium. (Nicola Pamplona/ Estadão Online)