Descoberta rede de lagos debaixo do gelo da Antártida

Por baixo da neve, do gelo e do frio da Antártida, cientistas encontraram uma rede de lagos que é constantemente preenchida e esvaziada por água corrente.

A descoberta pode ajudar a melhorar a compreensão da interação entre o aquecimento global e o derretimento do gelo antártico, o que poderia contribuir para uma elevação do nível dos oceanos em todo o mundo. Pesquisadores, analisando dados de satélites, conseguiram medir as elevações e quedas da camada de gelo, à medida que os lagos por baixo se enchem e esvaziam.

Mais de 100 lagos foram descobertos na Antártida Ocidental, de acordo com pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science. O gelo que recobre esses lagos move-se com uma velocidade de dois metros ao dia – “na verdade, rasgando-se”, nas palavras de um dos autores do estudo, Robert Bindschadler, do Centro de Vôo Espacial Goddard, da Nasa.

“É o gelo que se move rápido quem determina como a capa de gelo responde á mudança climática no curto prazo”, disse ele, em nota.

“Não somos, ainda, capazes de prever o que esses fluxos de gelo farão. Ainda estamos aprendendo sobre os mecanismos de controle. A água é um fator crítico, porque, essencialmente, é a graxa nas engrenagens. Mas ainda não sabemos os detalhes”, afirma ele.

A principal autora do trabalho, Helen Fricker, da Instituição Scripps de Oceanografia, disse que os cientistas ficaram surpresos com a velocidade com que o gelo está se deslocando. “Pensávamos que essas mudanças ocorriam ao longo de anos e décadas, mas esta,os assistindo a grandes mudanças ao longo de meses”, disse ela.

Os cientistas estudaram imagens do satélite ICEsat da Nasa, coletadas entre 2003 e 2006. Estudos anteriores dependiam da perfuração de buracos profundos no gelo, para determinar o que se passava por baixo das capas. (AP/ Estadão Online)